Posted by: guyveloso | 11 de November de 2010

Cinco perguntas para Guy Veloso – Por Fernando Rebelo

Para o blog Paraty em Foco.

http://paratyemfoco.com/blog/2010/03/cinco-perguntas-para-guy-veloso/

Alquimia é o título da nova individual que Guy Veloso inaugurou na última sexta-feira (12.03), no Ateliê da Imagem, no Rio de Janeiro. A curadoria é de Cláudia Buzzetti e Patrícia Gouveia.  São 21 imagens, todas feitas com máquinas analógicas (Leica) e filmes diapositivos (Provia 400 e Ektachrome 100VS), algo – convenhamos – raríssimo hoje em dia.   A temática “religiosidade popular brasileira” segue a pesquisa do autor, que já dura 15 anos. Ano passado, parte deste trabalho foi mostrado no Festival FotoRio, com a exposição Entre a fé e a febre: retratos, em preto-e-branco.

Guy Veloso, 40 anos, é um dos expoentes da nova fotografia paraense, considerada uma das mais criativas do país. Membro da Fotoativa, famosa associação fundada em Belém há 25 anos por Miguel Chikaoka. Guy Veloso acaba de ser convidado para integrar a Coleção Pirelli-Masp, indicado por seu conterrâneo, o também fotógrafo Luiz Braga, representante do Brasil na Bienal de Veneza de 2009.

Há 15 anos você vem desenvolvendo esse projeto com a temática “religiosidade popular brasileira”, como tudo começou?
O interesse começou bem antes. Desde 1989, fotografo a grande procissão do Círio de Nazaré, provavelmente a maior do mundo, com quase dois milhões de pessoas nas ruas de Belém. Mas o interesse se solidificou mesmo com os estudos feitos na segunda metade dos anos 90 no interior do Pará e, especialmente, com o início minhas viagens ao Nordeste – romarias de Juazeiro do Norte (ininterruptas desde 1998 até hoje), Bom Jesus da Lapa (2002 e 2003), Canindé (2002) entre outras.

Aos 40 anos, você é considerado um dos expoentes da nova fotografia paraense, tida como uma das mais criativas do país. Como você vê a ascensão da fotografia paraense no mercado de arte brasileiro?
Sobre mercado de arte não posso falar nada por um simples motivo: não estou dentro dele. Até hoje não tenho galeria me representando e vendo eu mesmo minhas fotos com uma freqüência bem menor do necessário para sustentar meus projetos e viagens.

Além de você, quatro fotógrafos paraenses foram convidados de uma vez só para integrar a Coleção Pirelli-Masp de Fotografia, como isso ocorreu?
Cara, isso foi uma grande alegria. Cinco de uma vez só! E todos da mesma geração, que começaram praticamente juntos. Todos amigos lá da Fotoativa. Foi assim: assim como ano passado, foram convocados representantes regionais para sugerirem nomes à junta de curadores. O paraense Luiz Braga, representante do Brasil na Bienal de Veneza, e contemplado já duas vezes com convite da Pirelli-Masp, foi o escolhido. Ele então selecionou cinco nomes que no entendimento dele mereciam estar na coleção. E para a surpresa minha – e, suponho, de todos – os cinco foram contemplados.

Você é membro da Fotoativa, famosa associação fundada em Belém, há 25 anos, por Miguel Chikaoka. Como funciona essa associação? Como foi seu ingresso na Fotoativa?
Eu já era fotógrafo quando me associei à Fotoativa, em 1999. Fui atraído pelo trabalho voluntário realizado por seus membros, hoje muito conhecido nacionalmente e internacionalmente. A Fotoativa é uma associação sem fins lucrativos, que realiza um trabalho exemplar em Belém. Ali é um celeiro de talentos nas artes visuais. Não se trata de ensinar fotografia, apenas, como todo mundo pensa. É mostrar que outra forma de olhar é possível. É também levar cursos profissionalizantes gratuitos à população mais carente. Realizar anualmente dezenas de eventos culturais na cidade, como exposições, foto-varais, cursos, oficinas, palestras, simpósios etc. Hoje, a associação é “Ponto de Cultura” pelo MINC.

Quais são as suas expectativas em expor seu trabalho no Rio de Janeiro?
Vai ser minha primeira individual mostrando trabalhos feitos em cor. Em todas as mostras anteriores, tive o controle total sobre as etapas da produção; porém, agora, duas excelentes curadoras, Cláudia Buzzetti e Patrícia Gouveia, escolheram e editaram as fotos por mim. E sem minha interferência. É uma experiência no mínimo diferente, de desapego, de mandar o trabalho para o mundo e largar mão dele. Coincidente, ando lendo textos de budismo vietnamita ultimamente…

Alquimia – fotografias de Guy Veloso
Até 30.04
Ateliê da Imagem: Rua Pasteur, 453, Urca, Rio de Janeiro – RJ
Tel.: +55 21 2541.3314


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