Posted by: guyveloso | 15 de April de 2011

Melhor da fotografia produzida na primeira década do século XXI no país ganha exposição em SP

Plantão | 15/04 às 15h08  – O Globo

João Sorima Neto

SÃO PAULO – Para quem gosta de fotografia, há uma chance de conhecer o que de mais expressivo se produziu no Brasil nos primeiros dez anos do século XXI. A exposição “Geração 00 – A nova fotografia” Brasileira, que abre neste sábado no Sesc Belenzinho, em São Paulo, é uma espécie de mapeamento da fotografia contemporânea brasileira. São 55 artistas e 180 obras.

O curador da exposição, Eder Chiodetto, explica que foi buscar autores que já estavam em atividade nos anos 90, mas que produziram intensamente entre 2001 e 2010, além de novos fotógrafos que despontaram nos últimos anos. – Houve uma profunda transformação no pensar e no fazer a fotografia a partir de 2001. Grande parte dessas mudanças, aconteceu em função da revolução tecnológica, da disseminação das câmeras digitais, da internet e dos softwares pós-produção. A massificação do uso da fotografia tornou claro para o grande público o fato de que qualquer fotografia incorpora realidade e ficção, como já nos alertavam, há décadas, vários teóricos da comunicação – diz Chiodetto. A exposição divide-se em dois módulos. No primeiro, chamado de “Limites e metalinguagem”, os artistas utilizam a fotografia como desdobramento de seus trabalhos. Há registros de performances, flertes com o cinema e obras que retratam a representação do mundo contemporâneo. No segundo módulo – “Documental imaginário / Novo fotojornalismo” – há trabalhos de documentaristas que incorporam a estética e os conceitos da atmosfera cinematográfica, literária e até mesmo publicitária. É gente que também edita, escreve e divulga seu trabalho na internet, por exemplo. O resultado transforma o relato de questões sociais em representações universais de forte teor autoral e poético, como nos trabalhos da Cia. de Foto, João Castilho, Breno Rotatori e Guy Veloso. – A fotografia brasileira desta primeira década do século 21 alcançou grande destaque no panorama de arte mundial. Nossa cultura antropofágica, hábil e ágil em perceber novas tendências gerou uma fotografia vibrante, que passou a ser pesquisada e divulgada por curadores e instituições do mundo inteiro – explica o curador. Durante o período da exposição, o Sesc vai promover uma programação paralela com oficinas, saídas fotográficas, leituras de portfólio, palestras e entrevistas com fotógrafos que integram a mostra. A abertura da mostra integra a programação da Virada Cultural 2011, com duração de 30 horas, a partir das 16h do dia 16, sábado, até as 22h do domingo. A exposição Geração 00 – A Nova Fotografia Brasileira, vai de 16 de abril até 12 de junho no Sesc Belenzinho, em dois espaços expositivos, no Galpão Multiuso e na Área de Exposições. ‘Exposição é mapeamento de conceitos’ Mestre em Comunicação e Artes pela Universidade de São Paulo, jornalista e fotógrafo, o curador da exposição “Geração 00” falou ao GLOBO sobre o trabalho:

O GLOBO – Como você selecionou os fotógrafos que integram a exposição?

EDER CHIODETTO -Fiz uma seleção de trabalhos buscando ressaltar novas linhas de força na produção da fotografia brasileira da última década, surgidas após as mudanças de paradigmas ocorridas em função das novas tecnologias, da percepção mais clara do tênue limite entre ficção e realidade na fotografia e da massificação do uso e da circulação da fotografia. Portanto é mais um mapeamento de certos conceitos que uma seleção de melhores artistas da década que, na verdade, seria um recorte meio sem sentido para mim.

O GLOBO – Há algum elemento comum entre eles?

CHIODETTO -Sim, a liberdade de estilo, a possibilidade de usar a semântica da fotografia livre de dogmas do passado, da filiação ao realismo, por exemplo. E uma unidade poética e humanista que também percorre toda a mostra. Como você define a produção brasileira de fotografia nestes primeiros dez anos do século XXI? Há alguma ruptura com o que se fazia anteriormente?

CHIODETTO – Muitas rupturas: o fotodocumentarismo foi colocado contra as cordas pelo fato de os fotógrafos amadores nesta década terem virado produtores, que publicam em blogs e conhecem as ferramentas que podem modificar o conteúdo de uma imagem, por exemplo. Foi preciso encontrar novas saídas. Na exposição, vemos fotógrafos que passaram a incorporar em suas reportagens uma porção de ficção, referências cinematográficas e literárias, em alguns momentos lançando mão de tratamento de imagem que outrora se usava apenas na publicidade para compor um campo de reflexão no qual não cabe mais a ideia de verdade absoluta que o fotojornalismo muitas vezes tenta afirmar. Desta forma o “documento” gerado passa a ser mais dialético, uma proposta de diálogo com o leitor e não mais uma imposição de um ponto de vista. Mas houve mudanças intensas também na fotografia mais ligadas as artes visuais, com a chegada de muitos não-fotógrafos que passaram a usar a fotografia devido à facilidade do processo digital. Eles ajudaram a ampliar o repertório da fotografia ao levá-la ao diálogo com outras linguagens como a pintura, a escultura, o cinema. Na mostra, esse segmento tem o nome de “Limites, metalinguagem”.


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