Posted by: guyveloso | 17 de September de 2012

O Penitentes – Tyara La-Rocque

Engl/Portug (abaixo)

The Penitent

Tyara de La-Rocque, Journalist

“Guy is not only a simple member of Penitentes do Juazeiro, he is like a son to me, you know? I’m very found of him, for God sake!”

On one side, behind the scenes, is the distant view , observer and researcher aware of a photographer who captures the moment of a reality. The other is “Guyzinho”, dear friend of Mrs. Jesulene Ribeiro, 72, leader of the “Power of souls” group, from Joazeiro in Bahia. The Nenenzinha’s words, as Mrs. Jesulene is affectionately known since childhood, show a researcher who became part of the searched object.

Dona Jesulene Ribeiro (Nenezinha), chefa do mais antigo grupo de Alimentadores das Almas de Juazeiro-Bahia. Foto Guy Veloso. Slide. 2009.

Dona Jesulene Ribeiro (Nenezinha). (c) Guy Veloso, 2009. Slide.

More than discovering experiences, exposing beautiful images to the public and have an in-depth study of the photographed subject, Guy Veloso entered into the private universe of Penitents, like he was considered one of them, without necessarily commune of religious practices in the rituals. Amid the procession, at the time he “is” a Penitent, the photographer follows the rules of the brotherhood, from the speaking skills to the songs sung at the ceremony. He gets duties, holds prerogatives; he is the guardian of secrets and traditions that are being lost in time.

“I got so close to them to the point where I feel invisible when I photograph them up close, without the expressions and poses are modified by my presence,” says Guy.

There is a special feature in Penitents: once it’s a closed fellowship, with strict rules and precepts, is not normally permitted the presence of “outsiders” in the rituals. Guy had access to secret information that the group have never allowed to other photographers. The acceptance and trust by the spiritual alliance were such that, today, in addition to work on the spot for nearly 10 years, Guy Veloso is also already part of the history of the Penitentes. “We sympathize with him since the first time. Guy is communicative, loving, a beautiful person, seetheart! He also feels like part of us, doesn’t he?”, says Nenenzinha.

With aesthetics and unique compositions, Guy Veloso makes a perusal through imagistic information about man’s relationship with the divine. Every religious faction becomes consequently remarkable in the works of the artist. “Penitentes” brings religiosity in the structure of visual poetry. Perpetuates the sacred in photographic essays filled with diversity, body expressions and feelings. Even in the most disturbing images there is always a touch of sensitivity and poetry. There are always talking colors, experiences that can be felt and lives that are connected.

“Sometimes I find myself singing along with them in worship… at that time it becomes so exciting that I forget the camera. I memorized so many prayers, formulas and derisions”, says the researcher.

Even after years of photography in Penitentes over different regions of the country, Guy Veloso still is surprised: “They never ask for anything for himself, always to the suffering souls, those who are in need or purging. It’s something that in the 21st century sounds unreal to me”.

Penitentes, grupo de Dona Jesulene Ribeiro (Nenezinha). Foto Guy

Jesulene`s group. Juazeiro-Bahia. (c) Guy Veloso, slide.

Many people have found the ritual of Penitents through Guy Veloso’s photography. This is what says Nenenzinha, who is 24 years leading the main group in Juazeiro, also known as “The owl”. “His does a great quality job! We are happy and honored”, says the proud ‘mother’”.

And if Guy set the importance of this work, the answer is: “Penitentes is me”.

English version and proof reading: Marcio Rolim.

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 O Penitente

Tyara de La-Rocque, jornalista.

“Guy não só é considerado membro dos Penitentes de Juazeiro, como também é um filho pra mim, sabe? Quero-o muito bem, ‘Deus o livre’!”

De um lado, por de trás das câmeras, está o olhar distanciado, observador e atento de um fotógrafo pesquisador que capta os instantes de uma realidade. Do outro, está “Guyzinho”, amigo querido de dona Jesulene Ribeiro, 72 anos, líder do grupo “Alimentadores de almas”, de Juazeiro, na Bahia. As palavras de Nenenzinha, como dona Jesulene é carinhosamente apelidada desde a infância, mostram um pesquisador que se tornou parte do objeto pesquisado.

Mais do que descobrir vivências, expor belas imagens ao público e ter um estudo aprofundado da temática fotografada, Guy Veloso adentrou no universo particular dos Penitentes, ao ponto de ser considerado um deles, sem necessariamente comungar das práticas religiosas nos rituais. Em meio à romaria, no momento em que “é” um Penitente, o fotógrafo segue às riscas as regras da irmandade, desde os conhecimentos orais aos cânticos entoados na cerimônia. Fica sujeito a deveres, detêm prerrogativas, é guardião de segredos e tradições que estão se perdendo no tempo.

“Tenho intimidade com eles ao ponto de me sentir invisível quando os fotografo bem de perto, sem que as expressões e poses sejam alteradas com a minha presença”, diz Guy.

Nos Penitentes há uma particularidade: por ser fechado, com normas rígidas e preceitos, normalmente não é permitida a presença de pessoas “de fora” nos rituais. Guy teve acesso a informações secretas do grupo que outros fotógrafos não tiveram. A aceitação e confiança por parte da aliança espiritual foram tantas, que hoje, além do trabalho realizado no local há quase 10 anos, Guy Veloso também já é parte da história dos Penitentes. “Simpatizamos com ele desde o primeiro momento. Guy é comunicativo, carinhoso, uma pessoa linda, minha filha! “Ele também se sente como parte de um de nós aqui do grupo, né não?” afirma Nenenzinha.

Com estética e composições singulares, Guy Veloso faz uma leitura minuciosa por meio de informações imagéticas sobre a relação do homem com o divino. Cada facção religiosa se torna marcante nas obras do artista. “Penitentes” traz a religiosidade em forma de poesia visual. Eterniza o sagrado em ensaios fotográficos cheios de diversidades, expressões corporais e sentimentos. Mesmo nas mais perturbadoras imagens há sempre o toque de sensibilidade e poesia.  Há sempre cores que falam, há experiências que podem ser sentidas e vidas que são contadas.

“Às vezes me pego cantando junto com eles nos cultos… na hora é tão emocionante que esqueço a câmera. Sei várias rezas, fórmulas e esconjuros de memória”, conta o pesquisador.

Mesmo depois de anos de ensaios fotográficos nos Penitentes em várias regiões do país, Guy Veloso ainda surpreende-se: “Eles nunca pedem nada para si, sempre às almas sofredoras, as que passam por necessidades ou purgação. É algo que no século 21 soa irreal para mim”.

Muitos descobriram o ritual dos Penitentes através da fotografia de Guy Veloso. É o que garante Nenenzinha, que está há 24 anos na liderança do principal grupo em Juazeiro, também conhecido como “Corujão”. “As obras dele são de muita qualidade! Ficamos felizes e honrados”, diz a “mainha” orgulhosa.

E se for para Guy definir a importância deste trabalho, a resposta é: “Penitentes sou eu”.


Responses

  1. […] VELOSO, Guy. https://guyveloso.wordpress.com/2012/09/17/o-penitentes-thyara-la-rocque/. <acesso em: 14 de mar de […]


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