Posted by: guyveloso | 9 de October de 2012

Êxtase, texto de Armando Queiroz, curador assistente do XXXI Salão Arte Pará

Engl (above)

ÊXTASE

“Tudo quanto tem fôlego louve ao Senhor.” (Salmo 150)

Roda rodopiar, roda rodopiar… a fidalguia de D. Sebastião… gira girando nos quatro cantos do mundo… gira girando nas bordas fronteiriças entre a frágil condição humana e a dimensão interdita de alcance divino. Giram girando os sagrados bailarinos na Turquia. Giram girando os nobres amazônidas do reino da Turquia. Bailado dervixe1, bailado das encantarias do Tambor de Mina2.

Nesta exposição, o fotógrafo Guy Veloso nos oferece imagens impregnadas justamente por este véu de mistério que acompanha a humanidade desde os tempos imemoriais. Seu propósito certamente não é desvelar o oculto, é fazer com que penetremos caminhos que tantos outros fizeram antes de nós. Como não lê-las, senti-las na fina camada de nossas retinas, e não recordar do marmóreo êxtase de Santa Teresa? Êxtase espiritual de entrega plena do ser a uma totalidade de força maior. Corpo, corpo sagrado, corpo de qualidades búdicas em cíclico retorno à origem das origens. Supremo retorno. O corpo como santuário. Este mesmo corpo, que atrai e repulsa divindades de tantos credos em estados de consciência alterados pelo desejo do eterno, da permanência. Luta incessante do homem diante da morte, da dissolução, do nada. O pavor do nada capitular.

Ao ocupar a Galeria Fidanza do Museu de Arte Sacra, o fotógrafo apresenta imagens e vídeo capturados exclusivamente em solo amazônico, na cidade de Belém particularmente. Suas séries de penitentes nordestinos3, de secura e sofrimento agreste, dão lugar ao suor abundante das procissões e cultos sob a umidade e quentura da linha do Equador. Confundem-se as imagens, confundem-se suas origens. Um rito cristão de procissão, um cântico noturno de transe mediúnico? Todas, sem exceção, nos fazem calar a alma e a inteligência diante do inexplicável, de uma força inexorável que paira sobre de nós.

Armando Queiroz

Ass. Curatorial

XXX Salão Arte Pará. Belém, outubro de 2012

1Monge muçulmano que, geralmente, adota uma vida nômade de abnegação, fazendo votos de pobreza, humildade e castidade. Tendo na dança rodopiante sua capacidade de entrar em transe extasiático.

2Tambor de Mina é a denominação mais difundida das religiões Afro-brasileiras no Maranhão, Piauí e na Amazônia. A palavra tambor deriva da importância do instrumento nos rituais de culto. Mina deriva de negro-Mina de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” (Verger, 1987).

3 Exibido na 29ª Bienal Internacional de São Paulo-2010.

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ECSTASY

“Let everything that has breath praise the Lord”. (Psalm 150)

Spinning around, spinning around… the chivalry of D. Sebastian… it goes spinning all over the world… it goes spinning through the edges border between the fragile human condition and size range of prohibited divine. It goes spinning the sacred dancers in Turkey. It goes spinning the noble Amazonians of the Turkey kingdom. Dervixe1 Ballet, Ballet of charm, of “Tambor de Mina”2 .

In this show, the photographer Guy Veloso offers us images impregnated precisely for this veil of mystery that accompanies humanity since immemorial time. His purpose is certainly not to reveal the hidden, is to make us to penetrate paths that many others have done before. How not read them, not feel them in our retinas, and not remember the marble ecstasy of Santa Teresa? Spiritual ecstasy of full liberation to a totality of majeure force. Body, sacred body, body of Buddha qualities in cyclical return to the origin of origins. Supreme return. The body as a sanctuary. This same body that attracts and disgust deities of many faiths in altered states of consciousness by the desire of eternal permanence. Incessant struggle of man facing death, the dissolution of nowhere. The dread of capitulated anything.

By occupying the Fidanza Gallery of the Sacred Art Museum, the photographer presents images and video captured wholly in Amazonian soil, particularly in the city of Belém. His series of “penitentes nordestinos”3, suffering from dryness and rough, give rise to profuse sweating of the processions and worship under the moisture and warmth of the equator. Confused images, confused their origins. A Christian rite of procession, a song night of medium trance? All, without exception, make us shut up the soul and intelligence before the inexplicable, an inexorable force that hovers over us.

Armando Queiroz

Curator

XXX Arte Pará Exposition. Belém, ouctober, 2012

1 Muslim Monk who usually adopts a nomadic life of self-denial, making vows of poverty, chastity and humility. Having a whirling dance in their ability to go into in an ecstasy trance.
2”Tambor de Mina” is the most widespread Afro –Brazilian religion name in Maranhão, Piauí and the Amazon. The word derives from the importance of the drum instrument in the rituals of worship. “Mina” comes from “negro-Mina” of “São Jorge da Mina”, name given to slaves from “east coast close to São Jorge da Mina Castle” (Verger, 1987).
3Displayed at the 29th International Biennial of Sao Paulo -2010 .


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