Posted by: guyveloso | 12 de July de 2016

Mortalhas / Shrouds (site specific)

English above

Projeto MORTALHAS. Convidado para a Biennial of the Americas/2017, Museo de las Americas, Denver-Colorado. // SHROUDS Progect (site specifc). Invited to the  Biennial of the Americas/2017, Museo de las Americas, Denver-Colorado, USA

 

MORTALHAS, 2013. (c)  Guy Veloso

São indumentárias ritualísticas autênticas de grupos de Penitentes do sertão (Ceará, Bahia, Sergipe e Pernambuco), entregues ao artista pelos “Decuriões”, os chefes destas confrarias (muitas delas secretas), trasladadas a uma galeria de arte ou sala de museu.

Os mantos depois de recebidos nunca foram lavados. Ainda possuem o cheiro e a egrégora dos religiosos que a usaram. É de se ressaltar que vários deles foram utilizados em rituais de autoflagelação durantes anos. Pelos ícones (cruzes, corações, orbis, sóis, rosas etc.) presentes, é possível fazer um estudo das diferenças simbólicas entre os diferentes grupos e regiões.

Este trabalho artístico de Guy Veloso faz também referência ao velame das naus que aportaram do Brasil há pouco mais de 500 anos trazendo (à força) a fé cristã; como também, às tatuagens dos escravos que abalizavam na pele ora os símbolos de suas origens, ora as marcas de seus algozes (alguns penitentes estão localizados em terras remanescentes de quilombos).

Há também uma identificação clara à heráldica medieval, porém, de uma forma bastante diferente dos livros de história ocidentais. Enquanto os símbolos europeus fazem alusão aos feitos heroicos e insígnias da realeza, constituídos sempre de lustroso ferro e metais nobres, já no caso da “heráldica sertaneja”, ao contrário, embora pensada e estudada pelos seus criadores (a maioria deles analfabetos), sempre usando do seu imaginário geográfico-religioso, há nela uma aura mística, humilde, não ostensiva, isto evidenciado pelo material (panos simples e geralmente gastos pelo tempo) da maioria dos objetos. Mesmo assim, se não na riqueza, a estética destes últimos faz jus aos primeiros.

Forma de exibição.

Colecao GuyVeloso MORTALHAS PENITENTES CARIRI

Museu Histórico do Estado do Pará, Belém, 2014. Artesãos: Joaquim Mulato (Barbalha), Antonio Cruz (Caririaçu) e autores anônimos. Tecido bordado. Coleção do artista.

As indumentárias sagradas são suspensas com fios ou arames e deixadas no teto, balançando às correntes de ar, equidistantes dos visitantes.

São colocadas no mínimo 13 (sugestão à carta de Tarot “Morte”), podendo ser adicionadas outras de acordo com a curadoria/tamanho e forma da galeria (há mais de 50 disponíveis), porém, sempre em número ímpar, conservando uma tradição de várias Ordens de Penitentes.

Curada pelo próprio artista, o projeto Mortalhas foi exibido apenas uma vez, em setembro de 2014, no MHEP – Museu Histórico do Estado do Pará, na mostra “Amazônia Ciclos de Modernidade” (curadoria de Paulo Herkenhoff).

É a primeira vez que o artista usa uma técnica diferente da fotografia, no caso, realizando uma instalação com deslocamento de objetos.

Trata-se de uma derivação do Projeto Anterior de Guy Veloso, Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo (exibido na 29ª Bienal de São Paulo/2010), quando de 2002 até 2015 foram documentados 163 destas Confrarias místicas, de tradição oral e de caráter secreto nas 5 regiões do país.

Segundo o crítico e escritor Ronaldo Entler, “Guy Veloso talvez tenha deixado a fotografia. Ou talvez tenha ido buscá-la em outras formas de encarnação, em manifestações mais sincréticas, mais impuras, como tantas entidades sagradas”.

Mais sobre os Penitentes: Catálogo da 29ª Bienal de São Paulo/2010.16.jpg

Museu Histórico do Estado do Pará, Belém, 2014. Artesãos: Joaquim Mulato (Barbalha), Antonio Cruz (Caririaçu) e autores anônimos. Tecido bordado. Coleção do artista.

 

ENGLISH

Guy Veloso have pictured over 15 years Penitents of Souls Brotherhood (many of them secret) in Brazil, which happens deep inside the country and hardly known.

Altogether, there were 163 groups across 11 states (Pará, Amapá, Sergipe, Bahia, Pernambuco, Ceará, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná and Santa Catarina), being the first researcher to propose the theory and prove the existence of this secular and oral manifestation all over the 5 regions that the country are geographically and politically divided.

Veloso often used to return, for several years, to the same groups, offering them some photographs. In return, I got ritual objects, including the sacred capes.

Among the capes were given (over 50), Veloso selected the most dramatic ones and make an installation/site specif.

The capes still maintain the smell (something material, maybe) and the egregore (immaterial) of penitents, some of them, who practiced self-flagellation ritual. Throughout the symbolism in it (crosses, hearts etc.), colors and sizes, it is possible to make a study of regional differences between the groups.

Curated by the artist himself, it brings references to the canopies used in the Portuguese ships which have come and settled this country, and also to the heraldry. It’s about a deployment of his last photography project: “Penitents: From the rivers of blood to the fascination of the world”, (which was exhibited at the São Paulo Biennial in 2010 curated by Agnaldo Farias and Moacir dos Anjos).

It is the first time that Guy Veloso uses a tecnique different from photography ( his primary Art), in this case he is using an installation made by objects of the Penitents use.

More about the Penitents (Project/photos by Guy Veloso – eng & port): 29th São Paulo Biennial catalog.

287A7464

Embroidered fabric. Guy Veloso’s collection.

 


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