Posted by: guyveloso | 4 de May de 2015

Crítica de Paulo Herkenhoff

Crítica de Paulo Herkenhoff no catálogo da exposição Pororoca, MAR-Museu de Arte do Rio, 2014
pororoca_guyveloso_mar
Guy Veloso viu o mundo, ele começava em Belém,
no Círio de Nazaré. No Pará estava a matriz da diversidade
e, na arte, sua possibilitação de convivência
na diversidade.1 Para isso, é necessário transcender
a noção de homem bíblico.2 Se para um Pierre
Verger turista-fotógrafo-antropólogo urgia deixar
Paris, não importa para onde fosse pelos continentes,
até mesmo atravessar a Belém amazônica, para
Veloso é preciso partir de Belém e a ela voltar sempre.
De toda a fotografia de Belém, até mesmo do Círio
de Marcel Gautherot ou dos rituais afro-brasileiros
de Pierre Verger, Guy Veloso representou profundamente
a interpretação polissêmica integrada inter-
-religiosa, reduziu-a a um ato único, o êxtase do alvo
e a contorção do tempo da câmera caçadora nos domínios
do sagrado. O transe é fusão extática do corpo
apropriado e dobrado pela fé, da excitação significante
do fotógrafo e da contemplação do espectador.
O caudal imagético – que se faz no tempo e nele se
condensa – é mantra visual que se repete, reinventa,
ora, imbrica, diferencia, aproxima e desdobra entre
os meandros do cortejo visual da diferença. Isso é
o caudal amazônico de body languages por almas as
adas de seus corpos. Já não é o corpo tomado, mas
o próprio corpus de imagens que se transfigura em
olhar. Daí, a experiência da arte de Veloso ser o encontro
com um corpus em êxtase.
Guy Veloso articula encontros de fé.3 A câmera é
tenaz na aliança por imagens da arca da diversidade
religiosa do Brasil, das diferenças e das convergências.
Em tempo de insidiosa intolerância das doutrinas
fundamentalistas no Brasil e no mundo, o artista
aposta na arte como instância de diálogo e de entendimento
para a construção do respeito devido por todos
a cada um. Nessa compreensão está seu diagrama
de convivência social e um sentido político de igualdade
e razão contemporânea para a ideia de religião.
Há na obra dele a produção de conhecimento, como
no filósofo e historiador das religiões Mircea Eliade,
sobre o fenômeno do sagrado e não, simplesmente, a
antropologia visual da religião. Eliade hierarquiza as
religiões, tais como as “rudimentares”, mas seus estudos
sobre o sagrado, a festa e a guerra demarcam
estratégias para os ritos, demarcados para originar “gestos importantes
e fé bastante para os fazer parecer necessários”, essenciais à vida.4
Na romaria fotometafísica de Guy Veloso, o grande
curso público da fé funde-se num essencialismo imagético
e unificado pelo transe. Imagens em estado de
devir Outro. Na arte de Veloso, o transe é para todas
[as religiões], como a histeria é para todos [os sujeitos]
na produção de Louise Bourgeois. O igualamento
acima de todas as verdades autoproclamadas como
absolutas. O psiquiatra Charcot e o filósofo Georges
Didi-Huberman demonstraram a mesma origem comum
e a fala contorcida do corpo sem escuta. Entre
o esconjuro, o descarrego e a autoflagelação – fala-se
agora da arte de Veloso – a dependência entre a conversão,
o inferno e a fortuna, como ocorre em algumas
religiões rentistas por denegação loquaz, conceito
freudiano, em que o Não termina como Sim.
A fotografia de Guy Veloso desdobra-se em ângulos
de captura da cena de exercício da fé. O conjunto
transita entre a interioridade do Ser, o êxtase diante
do Outro e o corpo em estado de sublimação. “Pode-
-se rezar sem compreender as palavras”, afirma Jacques
Derrida, pois, “a oração é um ato. Faz-se ago,
mesmo se o significado permaneça opaco.”5 Portanto,
se é possível rezar sem entender as palavras, a obra de
Veloso é oferta do significante ao espectador, não importa
sua religião, para momentos de encontro com
o inominado. Contra as primazias e fundamentalismos
religiosos, o artista aponta para a etimologia da
palavra religião e a ideia de “religar” os homens acima
de seus conflitos porque os terrorismos em nome
das religiões monoteístas recorrem ao fogo – armas,
coquetéis molotov, explosivos, ameaças de Inferno e
culpa – para construir sua entropia de Deus. O corpo,
nessas imagens de Guy Veloso, explode em notações
pela luz prodígio.
 
Paulo Herkenhoff
1 Paráfrase da grande pintura de Cícero Dias Eu vi o mundo… E ele começava no Recife
(1931).
2 REHFELD, Walter I. Tempo e religião. São Paulo: Perspectiva, 1988.
3 O substantivo fé está no singular, evitado o plural que é diviso em muitas possibilidades
conflitantes.
4 ELIADE, Mircea. O homem e o sagrado. Sem tradutor. Lisboa: Edições 70, 1988.
p. 161.
5 DERRIDA, Jacques. Body of prayer. Conversa com David Shapiro e Michael Govrin.
Kpm Skapich (ed.). Nova York, The Irwin S. Chanin School of Architecture, 2001. p. 59.
Posted by: guyveloso | 9 de January de 2015

Círio de Nazaré, Belém-PA

Círio de Nazare, Belém PARÁ Brasil Brazil

Guy Veloso. Círio de Nazaré (Patrimônio Imaterial da Umanidade – Unesco), Belém-PA, 2004. Slide [Cirio procession, Belém-PA (Amazon), Brazil].

http:www.guyveloso.com

 

Posted by: guyveloso | 9 de January de 2015

MORTALHAS [Shrouds]

1 Mortalhas FINAL frente 2 Mortalhas dinal port 3 Mortalhas final ingl

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Outras Fotografias na Arte Brasileira Séc. XXI [Other Photographies in Brazilian Art 21st Century]

Livro de Moacir dos Anjos, Isabel Diegues, Luisa Duarte e Júlia Rebouças.

ARTISTAS: Alice Miceli, Ana Lira, Ayrson Heraclito, Bárbara Wagner, Berna Reale, Claudia Andujar. Cinthia Marcelle, Mauricio Dias & Walter S Riedweg, Gabriel Mascaro, Gilvan Barreto, Guy Veloso, João Weiner, Jonathas de Andrade, Lais Myrrha, Miguel Rio Branco, Paulo Nazareth, Pedro David, Pio Figueiroa, Rivane Neuenschwander, Romy Pocztaruk, Rosangela Renno, Sara Ramo Affonso, Virginia de Medeiros e Yuri Firmeza.

“Em Veloso, vemos como, através do corpo, instaura-se a presença de vibrações intensivas intempostíveis, a partir da devoção e da crença religiosa” – Isabel Dieges [“In Veloso, we see how, thought the body, the presence of imperceptible intense vibrations based on devotion and religious belief is established”].

Editora Cobogó.

African american ritual brazil

Foto Guy Veloso.

Festival de Iemanjá, Belém-PA (Amazonia), 2013. Digital //Iemanja festival. African American rituals. Belém-PA (Amazon), Brazil, 2013.

http://www.guyveloso.com

 

Posted by: guyveloso | 28 de December de 2014

Marujada de São Benedito, Bragança-Pará, 16 de dezembro de 2014.

Marujada de São Benedito, Bragança, 2014. Digital. Foto Guy Ve

Foto Guy Veloso. Marujada de São Benedito, Bragança-Pará, 16 de dezembro de 2014. Digital //Marujada dance and procession, Bragança-PA (Amazon), Brazil. Digital.

http://www.guyveloso.com

 

Posted by: guyveloso | 19 de December de 2014

Oxum.

Oxum Candomble africanamerica documentary photography

OXUM. Foto Guy Veloso. Ritual de Candomblé, Belém-PA (Amazônia), Brasil. Dezembro de 2014. Digital.

http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 15 de December de 2014

Penitentes: crítica de Cinthya Marques

penitente_documentaryphotographybrazil cópia Guy Veloso. Encomendação das Almas, Juazeiro-Bahia, 2014. Digital. A fotografia de Guy Veloso possui uma relação direta com a performance. Mesmo que intimamente empenhados em seu ritual, há um quê de performático nestes homens e mulheres amortalhados, um desejo de exteriorizar formalmente sua crença. A metáfora do transe da fé de Veloso, faz uso da atividade do olhar como representação dos movimentos do mundo, enfatizando que o fotógrafo também pode vir a ser um performer a partir do momento em que seu ato artístico penetra na intimidade dos crentes e se junta a eles em um só cortejo, literal e  simbolicamente, resultando em imagens repletas de significados e representações – CINTHYA MARQUES, graduada em artes visuais e pesquisadora, sobre o Projeto Penitentes – dos ritos de sangue à fascinação do fim do mundo. http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 11 de December de 2014

CATÁLOGO do projeto Penitentes na 29a Bienal de SP

Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo (29a Bienal de SP/2010) //Penitents: Rituals of blood to the fascination of the world’s end (29th São Paulo Biennial/2010)

CATÁLOGO/catalog:

Download: Penitentes – Catálogo V11 Download

No ISSUU, clique aqui.
Penitentes angel documentaryphotography

(c) Guy Veloso

Port/engl

Penitentes

Convidado pelos curadores Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, Guy Veloso exibiu o ensaio documental Penitentes na Bienal Internacional de São Paulo de 2010. As imagens escolhidas para a exposição são um recorte de um projeto maior e inédito iniciado em 2002, Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo, curado por Rosely Nakagawa, feito a maioria com equipamento analógico, com previsão de durar 13 anos.

“Recomendadores”, “Alimentadores” ou também chamados “Irmãos das Almas” são grupos laicos que durante certas épocas do ano, saem noite adentro rezando pelos “espíritos sofredores”, geralmente cobrindo rostos com panos ou capuzes, em alguns casos mais dramáticos, praticando autoflagelação.

Trata-se de manifestação ímpar no interior profundo do Brasil que vai de encontro à “modernidade”, desconhecida até das pessoas que vivem nas cidades onde ocorrem. Uma cultura imaterial que se aproxima do seu fim com a descontinuidade de vários destes grêmios – testemunhada pelo fotógrafo ao longo deste Projeto.

Em 2009, Veloso foi o primeiro pesquisador a levantar a teoria de que estas confrarias de tradição oral, místicas, grande parte de difícil acesso ou até sigilosas, poderiam ocorrer nas 5 regiões do Brasil. No ano seguinte provou e publicou sua teoria cobrindo o país inteiro com 117 grupos documentados.

Assim são os projetos Veloso, de cunho antropológico, que demoram anos para serem apresentados ao público pela extensa pesquisa e envolvimento íntimo com o objeto fotografado (em um dos grupos foi iniciado, inclusive).

Para a Bienal, foram originalmente copiadas e emolduradas 16 fotos em tamanho 70×105 cm. Por questões de espaço e composição, 04 delas foram excluídas na montagem (as primeiras imagens deste catálogo). A série de 12 fotografias foi exposta no terceiro andar do Pavilhão em 15 metros lineares de parede (vide ensaio na ordem expositiva usada na época).

A 29ª edição da mostra internacional de arte mais importante da América Latina (e uma das três do mundo) – chamada de Bienal da Retomada – foi um marco na história recente das artes do país.

http://www.guyveloso.com

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Penitents

Invited by the curators Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, Guy Veloso showed his experimental documentary Penitentes in São Paulo International Biennial 2010. The images chosen for the show are a sip of a larger and unpublished project started in 2002, The Penitents: Rituals of blood to the fascination of the world’s end, curated by Rosely Nakagawa, done with analog equipment, expected to last for 13 years.

“Penitents”, “Soul Feeders” or also “Brothers of Soul” are secular groups of secrecy that through certain times of the year, go hit the night praying for the “suffering spirits”, usually covering their faces with rags or hoods, in some dramatic cases, practicing self-flagellation.

This is about an unparalleled manifestation deep inside Brazil that goes against the “modernity”, unknown until to people who live in cities where they occur. An intangible culture approaching its end by the discontinuation of several of these groups – witnessed by photographers throughout this project.

In 2009, Veloso was the first researcher to raise the theory that these brotherhoods of oral tradition, mystics, part of it of difficult access or religious, could occur in five regions of Brazil. The following year proved and published his theory having documented the entire country with 117 groups.

So are Veloso’s projects, an anthropological one, which take years to be presented to the public by extensive research and intimate involvement with the photographed object (it was started in one of the groups, indeed).

For the Biennale, were originally copied and framed 16 photos sized 70X105 cm. For reasons of space and composition, 4 of them were excluded in the assembly (see the first images of this catalog). The series of 12 photographs was displayed on the third floor of the pavilion on 15 linear meters of wall (see the show in the order used in the exhibition season).

The 29th edition of the most important international art from Latin America (and one of three in the world) – the so-called Biennial of Recovery – was a milestone in the recent history of the arts in the country.

http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 2 de December de 2014

Saída de Iaô. Candomblé. Belém-PA (Amazônia). Guy Veloso

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Foto: Guy Veloso. Saída de Yaô, Candoblé. Belém-PA, 2014. Digital / / Candomblé – African American ritual. Belém-PA (Amazon), Brazil.

http://www.guyveloso.com

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