Posted by: guyveloso | 17 de August de 2015

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Série Penitentes (29a Bienal de SP). Guy Veloso

Guy Veloso. Série “Penitentes”. Juazeiro-Bahia, 2014. Digital.

1- Contato/contact: guyveloso@hotmail.com

2- Links e textos/links & texts.

2- Bio

4-CRÍTICAS/critics  (ENGLISH below ):

Já não é o corpo tomado, mas o próprio corpus de imagens que se transfigura em olhar. Daí, a experiência da arte de Veloso ser o encontro com um corpus em êxtase – Paulo Herkenhoff. Texto do catálogo da mostra Pororoca, MAR-Museu de Arte do Rio, 2014.

Fica transparente esta relação ambígua entre o que é devoção e o que é violência – Moacir Dos Anjos, curador, programa Artes Visuais Brasil, SESC TV, 2011.

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Guy Veloso. Série “Penitentes”. Ritual de autoflagelação, zona rural de Juazeiro-Bahia, 2014. Digital.

A obra de Guy Veloso prima pelo trabalho com a luz. (…) Suas fotografias exploram gestos e feições limítrofes, muito próximas do esgotamento físico, da dor, do delírio e da paixão – Paulo Miyada, curador, catálogo Penitentes.

Este ano Arte Pará homenageia o artista Guy Veloso com sua obra dedicada aos encontros da fé. Sua câmera é tenaz na busca por imagens da rica diversidade religiosa brasileira das diferenças e as convergências. Um tempo de insidiosa intolerância das doutrinas fundamentalistas no Brasil e no mundo, Guy Veloso aposta na arte como lugar como lugar de diálogo e de entendimento para a construção do respeito devido por todos a cada um. Nessa compreenção podem estar soluções para a humanidade” – Paulo Herkenhoff, texto curatorial, Arte Pará 2014 (artista homenageado).

Penitentes anjo documentaryphotography

Guy Veloso. Série “Penitentes”. Ouro Preto-MG, 2010. Diapositivo.

É impossível não intuir o cheiro da poeira e da terra pisadas pela multidão, o clamor de benditos e ladainhas elevando-se das imagens dramáticas e sofridas. (…) É o retrato granulado de uma redenção que não se consuma, de um Purgatório que continua ardendo, de um fim dos tempos que não se acaba – José de Souza Martins, sociólogo, Zum – Revista de Fotografia, Instituto Moreira Salles, 2012. Leia texto na íntegra.

As fotografias de Guy Veloso situam-se nesse universo no qual se interpõe invisíveis imagens e a estética por ele proposta se faz reconhecer – Marisa Mokarzel, curadora. Leia texto na íntegra.

 Guy Veloso apresenta as suas fotografias de fé. Não uma fé dogmática ou sistemática, mas a que transparece em imagens surreais e fascinam pelo desconforto que nos causam – Simonetta Persichetti, O Estado de São Paulo, 20.09.2010.

Transladação, procissão noturna na véspera do Círio de Nazaré, Belém-Pará. Diapositivo (analógico).

Guy Veloso. Série “Êxtase”. Trasladação do Círio de Nazaré, Belém-PA, 2010. Slide.

Guy Veloso faz o trânsito entre fotografia documental clássica e ‘documental imaginário’. É uma nova força da fotografia documental brasileira que começa a despontar para o mundo – Eder Chiodetto, curador e fotógrafo, Revista Photo Magazine, no.41, 2012.

As imagens de Guy Veloso surpreendem pelo non sense, pelo surreal, pela completa dissonância entre o mundo real e o outro mundo – Rubens Fernandes Júnior, curador.

 Interessante um certo desconforto, um certo estranhamento que  provocam – Paulo Máttar, artista plástico e curador.

Veloso nos conduz por um país estranho, fascinante e sensual – Orlando Maneschy, fotógrafo e pesquisador.

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Guy Veloso. Ano-novo, Florianópolis, 2010. Cromo.

A fotografia de Guy Veloso nasce de sua discrição em infiltrar-se e cultivar intimidades – Catálogo da 29ª Bienal de São Paulo/2010. Leia texto na íntegra.

Penitentes de Guy Veloso reúne imagens com uma força que transcende a fotografia –Revista ARTE!Brasileiros, no. 07, Guia da Bienal, 2010.

A obra de Guy Veloso prima pelo trabalho com a luz. Com cores saturadas e vibrantes, suas fotografias resistem a entregar-se ao gozo pleno dos jogos cromáticos, fazendo com que sua paleta de cores acobreadas se revele através de uma densa sombra. Tal negrume, que empresta uma aura noturna mesmo para imagens captadas sob o sol do meio-dia, encobriria por inteiro seus cromos, não fosse pelo jogo de fontes de luz e pelos anteparos que a refletem e matizam sua coloração. É significativo, portanto, que esses anteparos sejam, no mais das vezes, corpos engajados em ritos de crença que são, eles mesmos, atos de busca por alguma espécie de iluminação (…)  – Paulo Miyada, curador, texto da mostra “É preciso confrontar as imagens vagas com os gestos claros”, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo-SP, setembro de 2012). Leia  na íntegra.

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Guy Veloso. Autoflagelação. Penitentes. Tomar do Geru-Sergipe, 2007. Digital.

A fotografia de Guy Veloso desdobra-se em ângulos de captura da cena de exercício da fé. O conjunto transita entre a interioriridade do ser, o êxtase e o corpo em estado de  sublimação. Se é possível rezar sem entender as palavras (Derrida), em Veloso o espectador, não importa sua religião, comunga dos momentos de encontro com o sagrado. Contra as primazias e fundamentalismos religiosos, o artista aponta para a etimologia da palavra religião e a ideia de “religar” os homens acima de seus conflitos – Paulo Herkenhoff, catálogo 31º Arte Pará/2012 (artista convidado).

As cenas existem, mas a imagem, a estética é própria de Guy Veloso que potencializa o real lançando-o no limite do medo – Marisa Mokarzel, curadora.

É neste universo múltiplo e complexo que Guy lança um olhar que vai além das características de cada religião presentes na vida cotidiana dos brasileiros – Joana Mazza, curadora.

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Guy Veloso. Ritual de Candomblé, Belém-PA, 2010. Slide.

Guy Veloso mergulha na alquimia e na espiritualidade para representar um nível de conhecimento mais sutil. Ele torna o invisível visível – Claudia Buzzetti, curadora e Patricia Gouvêa, curadora e fotógrafa, texto da exposição Alquimia, 2010.

No Vale do Amanhecer, fiéis se vestem como reis e rainhas. Guy Veloso extrai dessa devoção alegórica um preto e branco faiscante, luz que estoura os limites da fotografia e parece descascar a película até o pó de prata. Veloso registrou homens e mulheres de um dos templos da doutrina. Olhos abertos formam um contraponto entre a crueza da fotografia e a teatralidade barroca da comunidade religiosa. São olhares em êxtase que ultrapassam os limites desse claro-escuro, numa vertigem quase colorida – Silas Martí, Sobre a 18ª edição da Coleção Pirelli-MASP, Jornal Folha de São Paulo, 2010.

Há uma ambiguidade de sentido na representação dos homens encapuzados quando comparados aos violentos Ku-Klux-Klan, ao emblemático Chador das mulheres muçulmanas e aos sequestradores contemporâneos que evocam o clima de insegurança tão presente no mundo globalizado – Angela Magalhães e Nadja Peregrino, curadoras (texto do catálogo da mostra Un Certain Brasil, Pinghyao Festival, China, 2010).

Fotografia documental documentary photographyGuy Veloso. Ritual de Candomblé, Belém-PA, 2011. Digital.

A arte de Guy Veloso está em retransmitir sinais febris de uma horda encantada com a fé. É um documento de sua alma incansável e humanista em nos brindar nessa itinerância militante da fé – Walter Firmo, fotógrafo.

O primeiro passo para fotografar um tema complexo como o das seitas religiosas é não ter seus dogmas e crenças próprias como um parâmetro para julgar a fé alheia. Só assim o fotógrafo estará apto a perceber as sutilezas ocultas nas diversas camadas simbólicas de uma crença. Guy Veloso se manteve nessa busca por mais de uma década até seus registros romperem com o padrão clássico do documentarismo para mergulhar numa estética renovada, na qual ele nos coloca em contato com uma nova ordem de dimensões. As imagens se tornam, assim, orgânicas. É como se não estivéssemos mais vendo fotografias ‘sobre’ algo mas a coisa em si. Por vezes é necessário experimentar, expandir a linguagem, romper com os manuais, para que o realismo irrompa com maior contundência – Eder Chiodetto, curador e fotógrafo, livro “Geração 00 – A Nova Fotografia Brasileira”, 2013.

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Guy Veloso. Série “Penitentes”. Juazeiro-Bahia, 2014. Digital.

Expoente do movimento testemunhal do Brasil, a obra de Guy Veloso resgata boa parte daquelas questões que fazem a identidade dos povos da América Latina. Na Argentina começou a ser conhecido por sua inclusão mostra “Imagens deste lado do Mundo” para a Red Cultural del Mercosul em 2007. Guy se integra a nova geração de autores testemunhais brasileiros seduzidos pela idéia de levar adiante um registro subjetivo e comprometido com um dos aspectos mais relevantes da cultura brasileira e, por extensão, a latino-americana, que se refere às práticas religiosas populares. Isto o conduziu a ser reconhecido em seu país e no exterior, com uma obra sólida, reveladora e com grandes valores estéticos – Revista Fotomundo, Argentina, 2008.

 Imagens onde a técnica, mesmo muito presente, se dilui deixando o sensível se apresentar com toda sua força. Exercício de imagética carregado de subdivisões, a obra de Guy, lembra uma cebola, repleta de camadas, uma fotografia onde o mais instigante e valioso está em camadas inferiores, invisíveis a uma primeira sacada apresada e ansiosa, uma obra para corações calmos, fortes, e olhos atentos que permitam um contato com o que está dentro da foto, deixando o epitélio da imagem somente como figura de convite, que nos convidam de forma muito convincente – Marco Antonio Portela, fotógrafo e curador.  Texto na íntegra.

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Guy Veloso. Penitentes, Nossa Senhora das Dores-SE, 2002. Slide.

A fotografia de Guy Veloso possui uma relação direta com a performance. Mesmo que intimamente empenhados em seu ritual, há um quê de performático nestes homens e mulheres amortalhados, um desejo de exteriorizar formalmente sua crença. A metáfora do transe da fé de Veloso, faz uso da atividade do olhar como representação dos movimentos do mundo, enfatizando que o fotógrafo também pode vir a ser um performer a partir do momento em que seu ato artístico penetra na intimidade dos crentes e se junta a eles em um só cortejo, literal e  simbolicamente, resultando em imagens repletas de significados e representações – Cinthya Marques, graduada em artes visuais e pesquisadora, sobre “Penitentes”.

O fotógrafo parece ser parte da situação, sem lançar um olhar estrangeiro sobre ela. Cores, contrastes e pontos desfocados evidenciam o aspecto imaginário da festa (Candomblé) – Jornal O Globo, 23.07.2012.

Mostra o candomblé com representações orgânicas, instáveis e cheias de movimento, como quem observa de dentro do acontecimento – Eder Chiodetto, curador, Jornal O Globo, 23.07.2012.

Seu propósito certamente não é desvelar o oculto, é fazer com que penetremos caminhos que tantos fizeram antes de nós – Armando Queiroz, artista plástico e curador, texto da exposição Êxtase, 2012. Texto na íntegra. 

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Guy Veloso. Festival de Exu, Umbanda, Belém-PA, 2011. Slide.

Qual a fronteira entre a fotografia documental e a artística? Com Robert Capa, já não se podia traçar a linha, e com Guy Veloso também não é simples. No entanto, recentemente, o trabalho do paraense foi vetado por um importante site por supostamente não se tratar de arte. Seu apuro formal, as cores febris e o enquadramento dramático realçam a expressão, mais do que a informação, mas nem por isso convenceu a todos os críticos. Podemos inferir que tal rejeição se deva ao fato de Guy Veloso aparentemente aderir à religiosidade que retrata, em vez de analisá-la com olhar crítico. O transe fotográfico de Veloso concilia-se com o transe religioso, levantando uma questão que não é apenas teológica. A arte deve nos convidar a um estado de enlevo, como o frenesi do fiéis, ou a um olhar reflexivo, de uma distância estratégica? Ou, talvez, ambos, simultaneamente? – Rafael Campos Rocha, Revista DAS ARTES, Ed. Outubro de 2010.

Guy Veloso talvez tenha deixado a fotografia. Ou talvez tenha ido buscá-la em outras formas de encarnação, em manifestações mais sincréticas, mais impuras, como tantas entidades sagradas – Ronaldo Entler, crítico e escritor (sobre a instalação “Mortalhas”).

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Guy Veloso. Vale do Amanhecer, Planaltina-DF, 2014. Digital.

A fotografia aqui atende a duas premissas muito caras à produção contemporânea: o poético e a documentação. Seu discurso imagético é uma navegação por manifestações populares do Brasil profundo – Michel Pinho, historiador e fotógrafo. Leia texto na íntegra.

Em Veloso, vemos como, através do corpo, instaura-se a presença de vibrações intensivas intempostíveis, a partir da devoção e da crença religiosa – Isabel Diegues, no livro Outras Fotografias na Arte Brasileira Séc. XXI, editora Cobogó, 2015.

O transe, o movimento do corpo, a movimentação do grupo de onde a cena emerge e, rapidamente imerge, o ato social. Tudo é motivo de atenta investigação que ultrapassa o mero documentar – Armando Queiroz, curador-assistente do 33º Arte Pará (sobre mostra “Entre dois mundos: Pierre Fatumbi Verger e Guy Veloso”). Leia texto na íntegra.

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Guy Veloso. Penitentes, Juazeiro-Bahia, 2015. Digital.

A palavra religião vem do verbo latino religare, que significa religar os homens. Então se essa palavra, se essa força, se essa junção, se essa crença que é a fé pode trazer paz às pessoas, que voltemos à sua origem etimologia no sentido de conectar, e não de separar as pessoas. E ao mesmo tempo insistir que todos devemos respeitar a religião de cada um. No caso das religiões afro-brasileiras, esta violência está extremamente exacerbada, é algo que remonta a momentos obscuros da sociedade ocidental que é impor através de métodos sejam eles psíquicos, políticos, físicos etc. uma idéia sobre o outro. E ao mesmo tempo pensar que a tarefa dos que querem um mundo mais democrático é não só trazer essas religiões afrodescendentes à visibilidade, mas compreender que elas – como Verger compreendeu, como Rubens Valentim – não estão no campo do folclore, elas não estão no campo da superstição, mas elas estão no campo dos valores, os mesmos que ligam as pessoas – Paulo Herkenhoff (pronunciamento na abertura do 33ª Arte Pará, sobre Guy Veloso, artista homenageado – vídeo).

Fotografar temas complexos, como o das seitas religiosas, implica não fazer juízo de valor. Só assim o fotógrafo pode perceber as sutilezas oculta nos simbolismos de uma crença. Guy Veloso rompe o padrão clássico do documentarismo para representar o transe da fé. A experimentação leva o artista a buscar sintonia com seu referente. Ao expandir a linguagem, arriscar-se em seus limites e romper os manuais, realismo e imaginário parecem encontrar um ponto de equilíbrio da representação – Eder Chiodetto, curador, exposição Documental Imaginário, Oi Futuro, Rio de Janeiro-RJ, 2012.

(Peitentes) Ao longo do período de documentação, o fotógrafo ganhou a confiança dos adeptos, conseguindo registrar cem grupos em momentos de profunda introspecção dos devotos, em condições de luz escassa que pouco iluminam suas práticas madrugadas adentro – Rosely Nakagawa, curadora especializada em fotografia, Revista Brasileiros, 2010.

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Guy Veloso. Festa de Exu. Ritual de Tambor de Mina, Belém-PA, 2013. Digital.

Dentre eles, o que flerta mais assumidamente com uma fotografia identificada com os valores modernos é, sem dúvida, o Teatro do Tempo, de Guy Veloso, mas ainda assim insere pequenos ruídos que fogem desse molde, quando foca num detalhe isolado ou percebe o lugar como um espaço de encenação do tempo, sugerido pelo título – Mariano Klautau Filho,  Catálogo do Prêmio Diário Contemporâneo (sobre o ensaio O Teatro do Tempo, 2015).

Guy Veloso realiza cuidadosa negociação prévia, pois só consegue fotografar sentindo-se aceito pela comunidade. Em seus trabalhos autorais utiliza apenas lentes 35mm, pois pretende chegar bem perto das pessoas envolvidas, conhecendo de maneira íntima o fato por trás da lente. Para que isso ocorra, cria um canal de negociação com os sujeitos envolvidos, estabelecendo assim nesse percurso a estética relacional – Heldilene Guerreiro Reale, Dossiê, Arte & Ensaios | revista do ppgav/eba/ufrj | n. 27 | dezembro 2013.

O fotógrafo parece ser parte da situação, sem lançar um olhar estrangeiro sobre ela. Cores, contrastes e pontos desfocados evidenciam o aspecto imaginário da festa – Audrey Furlaneto, jornal O Globo (sobre fotos de Candomblé na exposição Documental Imaginário, Oi Futuro, Rio de Janeiro-RJ), 23.07.2012.

Nos corpos performáticos, o sagrado se materializa, não importa a religião. No claro ou no escuro, há vida. E sempre a poesia, mesmo na mais perturbadora das imagens. Vejo o transe fotográfico – Tyara De La-Rocque, jornalista cultural, para a Revista Benjamim, julho de 2015.

Holly week, 2016. Self-flagellation ritual. Bahia.

Guy Veloso. Autoflagelação, Sobradinho-Bahia, 2016. Digital.

O fotógrafo Guy Veloso, que há vários anos se dedica a registrar cultos e festividades religiosas Brasil afora, reconhece no transe uma complexidade que escapa às palavras e que, por isso mesmo, ele tenta transmitir por meio de imagens captadas em momentos de verdadeiro fervor – Jocê Rodrigues, Revista da Cultura, 10/07/2015.

Um transe entre o documental e o espiritual, onde eu me sinto em uma intimidade absurda e proibida com o outro – Ana Luiza Gomes, Blog Andarilha, 2015.

Veloso se envolve com os ritos profundamente e, portanto, consegue extrair todo potencial imagético que resulta numa representação polissêmica e mágica.” – Anna Carvalho, blog OLD.

Guy Veloso fotografa sem recursos de aproximação ou otimização, e reserva às possibilidades do corpo a maior condicionante daquilo que deseja obter na imagem. Eventos religiosos e espirituais, como o Círio de Nazaré, no Pará, e a festa da Nossa Senhora da Boa Morte, na Bahia, já renderam extensas séries – UOL Entretenimento, 29a Bienal de SP, 2010.

“Penitentes por Guy Veloso reúne imagens com tal força que transcende a imagem” – revista ARTE Brasileiros!. De julho de 2010.

“Imagens de Guy Veloso surpreendido por absurdo, por surreal, pela dissonância completa entre o mundo real eo outro mundo” – Rubens Fernandes Junior, curador.

“Há uma ambigüidade de significado na representação dos homens mascarados quando comparado com o violento Ku Klux Klan, ao chador emblemática de mulheres muçulmanas e os sequestradores contemporâneos que evocam a atmosfera de insegurança tão presente no mundo globalizado” – Angela Magalhães e Nadja Peregrino, curadoras.

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Guy Veloso. Ritual de Encomendação das Almas, Minas Gerais, 2014. Digital.

“Guy Veloso entrou no universo particular dos Penitentes, como ele foi considerado um deles, sem necessariamente comunhão de práticas religiosas nos rituais. (…) Guy teve acesso a informações secretas que o grupo nunca ter permitido a outros fotógrafos “- O penitente, Tyara de La-Rocque, Jornalista.

“Oposto a Mefistófeles, o demônio erudito de Goethe, Guy Veloso se veste como arcanjo. O corpo não é suficiente para ele, ele quer capturar e revelar a alma dos penitentes. Para uma boa finalidade. Mesmo para um ateu como eu, não é difícil identificar almas que pairam em cada quadro. Almas de cor, almas em preto e branco. Guy Veloso é também um conjurador ao contrário: em constante processo, cria e recria realidades de irrealidades” – The Art of Capturing and Revealing Body and SoulCarcara Photo Art.

 ENGLISH —

“It’s obvious the ambiguous relation between devotion and violence” – Moacir dos Anjos, curator, Visual Art Brasil Program, 29ª Especial Biennale of Sao Paulo, 2nd part, SESC TV, 2011.

“Guy Veloso shows his photos of faith. Not a systematic or dogmatic faith, but those ones who transpire in surreal images and fascinate us by the anxiety” – Simonetta Persichetti, O Estado de São Paulo. Sep. 20th 2010.

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Guy Veloso. Yao de Ewá, Candomblé (african-american ritual), Ananindeua-PA (Amazon), Brazil, 2015. Digital.

“Guy Veloso photos invite to a fallacious experience. The call always seems to matter, but the speech itself is always the color as the virtual tone” – Paulo Herkenhoff, curator and art Critic.

“Guy Veloso journeys between classical documentary photography and ‘imaginary documentation’. It is a new force of Brazilian documentary photography that begins to emerge into the world” – Eder Chiodetto, curator, Photo Magazine, 42, 2012.

“Guy Veloso’s photography was born of his discretion in infiltrating and cultivate intimacy. He use modest equipment, with no optimization or approximation resources of what his naked eye can capture; reserves to the possibilities of the body, its meetings, attachments, errors and wanderings, the biggest determinant of what aims to establish over the image form. In return, the artist wins naturalness and spontaneity from the people, and creates a map that alternates documentary rawness, ambiguity and fantasy (…). The images associate moments of sacrifice and pain of the people in times of worship and entertainment. As a photographer in practice, they open and demystify these hidden ideas and give in return to the public of the Biennial reflection and responsibility for any kind of stigma” – Catalogue of 29th Biennale of São Paulo.

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Guy Veloso. Série “Penitentes”, Salvador-Bahia, 2004.Slide.

“What is the border between documentary photography and art? With Robert Capa, one could no longer draw the line, and Guy Veloso is not that simple. However, recently, Guy’s work was prohibited by an important website for allegedly not being art. Its formal precision, febrile colors and dramatic framing enhance the expression, more than information, but not so convinced all critics. We can infer that such rejection is due to the fact that apparently Guy Veloso to join the portrayed religion, instead of analyzing it with a critical eye. Veloso’s photographic trance reconciles himself with the religious trance, raising a question that is not just theological. Art should invite us to a state of rapture, as the frenzy of the people, or to a reflective look of a strategic distance? Or perhaps both simultaneously?” – Rafael Campos Rocha, DAS ARTES Magazine, Ed. October, 2010.

“Penitentes by Guy Veloso gathers images with such strength that transcends the picture” – ARTE!Brasileiros magazine. July, 2010.

“The first step to shoot a multifaceted subject, like that of religious sects, is not to have their own dogmas and beliefs as a parameter to judge a person’s faith. This is the only the photographer will be able to understand the subtleties hidden in several symbolic layers of a belief. Guy Veloso remained in this quest for over a decade until his work break the classical pattern of documentaries to dive in a renewed aesthetic, in which he puts us in touch with a new range of dimensions. The images thus become organic. It is like we were not seeing photos anymore ‘about’ something but the thing itself. It is sometimes necessary to experiment, expand the language, breaking with the manuals, so that the realism erupt with greater forcefulness” – Eder Chiodetto, curator, the text for the exhibition “Generation 00″ , Belenzinho SESC , Sao Paulo -SP , 2011.

“Guy Veloso’s images surprised by nonsense, by surreal, by the complete dissonance between the real world and the other world” – Rubens Fernandes Junior, curator.

“Kind uncomforting and interesting estrangement, certain strangeness it causes” – Paulo Máttar, artist and curator.

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Guy Veloso. Série “Iemanjá”. Belém-PA, 2014. Slide.

“There is an ambiguity of meaning in the representation of the masked men when compared to the violent Ku Klux Klan, to the emblematic chador of Muslim women and the contemporary kidnappers that evoke the atmosphere of insecurity so present in the globalized world” – Angela Magalhães and Nadja Peregrino, curators.

“Veloso leaded us to a different, fascinating and corporeal world” – Orlando Maneschy, photographer and researcher.

“There are the scenes, but the image, the aesthetic is Guy Veloso himself that leverages the real gathering to the edge of fear” – Marisa Mokarzel, curator.

“Guy Veloso’ work consists in give febrile signals from a horde delighted with the faith. It is a document of his tireless and humanist soul by offering us this militant faith” – Walter Firmo, photographer and curator, FotoArte Brasília catalogue, 2005.

“Opposed to Mephistopheles, Goethe’s erudite demon, Guy Veloso dresses as archangel. Body is not enough for him, he wants to capture and reveal the penitents’ soul. For a good purpose. Even for an atheist like me, it is not difficult to identify souls that hover in each picture. Souls in color, souls in black and white. Guy Veloso is also a conjurer in reverse: in constant process, he creates and recreates realities of unrealities” – Carcara Photo Art 07, 2016. 

“He represents, through his work, the identity of his country and the birth certificate of the inhabitants of cities he traveled over, revealing their customs and traditions of each region” –  Elda Harrington, curator.

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Foto Guy Veloso. Iemanjá, Belém-PA, 2008. Slide.

“This is the multiple and complex universe that Guy takes a look beyond the characteristics of each religion to the Brazilians daily lives” – Joana Mazza, curator.

“Promoter of the witness movement in Brazil, the work of Guy Veloso rescues most of those issues that make the identity of Latin America people. He started to be known in Argentina by his show so-called “Images on this side of the World”, curated by Elda Harrington for Red Cultural del Mercosur in 2007. Guy integrates the new generation of Brazilian authors seduced by the idea of carrying out a subjective and committed record to one of the most important aspects of Brazilian culture and, by extension, Latin American, which refers to the popular religious practices. This led him to be recognized at home and abroad, with a solid work, revealing large and aesthetic values – Fotomundo Magazine, Argentina, 2008.

“He represents, through his work, the identity of his country and the birth certificate of the inhabitants of cities he traveled over, revealing their customs and traditions of each region” –  Elda Harrington, curator.

“The photo maker seems to be part of the situation, without put a foreign look upon it. Colors, contrasts, and diffused pixels enhance the imaginary characteristic of the Candomblé (African-brazilian religion)” – O Globo Newspaper, July, 23rd, 2012.

“(Veloso) shows Camdomblé in an organic representation, instable and full of moving, like the one who sees it from inside” – Eder Chiodetto, curator, O Globo Newspaper. July, 23rd, 2012.

Guy Veloso entered into the private universe of Penitents, like he was considered one of them, without necessarily commune of religious practices in the rituals. (…) Guy had access to secret information that the group have never allowed to other photographers – “The Penitent”, Tyara de La-Rocque, Journalist (text).

“His photographs stand to indulge to the full enjoyment of the chromatic game, making his coppery color palette proves through a dense shadow. Such darkness, which offers a nocturnal aura, even for images captured under the blazing sun of noon, would cover up the whole colors, not for the sources of light and shields that reflect and tint its coloring” –Numinous Gestures, Paulo Miyada, curador (text).

“Guy Veloso’s photography has a straight relationship to the performance. Even closely engaged in their ritual, there is something performative in these shrouded men and women, a desire to formally express their belief. Veloso’s trance of faith metaphor takes the activity of looking as a representation of the movements of the world, accentuating that the photographer can also prove to be a performer from the moment his artistic act penetrates the intimacy of believers and joins, literally and symbolically, to them in one pageant, resulting in images full of meanings and representations” –  Cinthya Marques, bachelor of visual arts and researcher.

“Guy Veloso’s work takes the light as the main line. From vibrant and saturated color, his photographs resist surrendering to the full enjoyment of the chromatic game, making his coppery color palette proves through a dense shade. Shuch darkness, which lends a night aura even for images captured under the midday sun, would cover up its entire chrome, not for the light sources and the shields reflecting and titing its colors. It is that important, therefore, that these screens are, in most cases, bodies engaged in rites of belief that are themselves acts of searching for some sort of enlightenment. In the exhibition “We must confront the vague images with clear gestures”, a triptych and a diptych of Veloso will be present in which gestures of various rituals are mixed, since sacred cults like Candomblé and Umbanda to the prosaic carnival and ballet”, Paulo Miyada, curator.

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Foto Guy Veloso. Umbanda, Belém-PA, 2015. Digital.

Guy Veloso remained in this quest for over a decade until his work break the classical pattern of documentaries to dive in a renewed aesthetic, in which he puts us in touch with a new range of dimensions. The images thus become organic. It is like we were not seeing photos anymore ‘about’ something but the thing itself. It is sometimes necessary to experiment, expand the language, breaking with the manuals, so that the realism erupt with greater forcefulness” – Eder Chiodetto, curator and photographer , the text for the exhibition “Generation 00” , Belenzinho SESC , Sao Paulo -SP , 2011.

Posted by: guyveloso | 14 de July de 2014

Tambor de Mina. Belém-Pará (Amazônia), 2013.

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Guy Veloso. Ritual de Tambor de Mina, Belém-PA (Amazônia) // Tambor de Mina ritual, Belém-PA (Amazon), Brazil. Digital. 2013.

Posted by: guyveloso | 24 de May de 2017

Dança dos Egunguns, Itaparica-Bahia

Ritual dos Egunguns, Itaparica-Bahia, 2011.

Ritual dos Egunguns, Itaparica-Bahia. Slide, 2011. Foto: Guy Veloso

http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 22 de May de 2017

Umbanda

Se no começo detectamos um documentarista clássico girando em torno de seu objeto, com o passar dos anos, do conhecimento e da intimidade acumulados, a fotografia de Guy Veloso deixou de representar os rituais para apresentá-los. Essa mudança, que pode parecer sutil, é na verdade a passagem do fotógrafo documentarista para o artista visual. A fotografia deixa de ser apenas um suporte onde se grava impressões, para se tornar extensão da sua imersão profunda nesse universo. Deixa de ser relato de mão única para ser a expressão legítima e dialógica de um encontro com o outro, com o inominável, com o divino – Eder Chiodetto, curador.

Umbanda, Paraty-RJ, 2016. (c) Guy Veloso. www.guyveloso.com

Foto (c) Guy Veloso. Ritual de Umbanda, Paraty-RJ, 2016.

http://www.guyveloso.com

 

Posted by: guyveloso | 12 de May de 2017

Exu

Ficamos com os pés acima do chão, suspensos, com os olhos fixos no real/irreal que nos desestabiliza para que pensemos e percebamos a cultura religiosa que se faz na diferença, na interseção de dor, crenças e fé – Marisa Mokarzel, curadora.

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Exu. (c) Guy Veloso, Belém-PA, 2015.

http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 9 de May de 2017

Penitentes

Guy Veloso transforma os penitentes em forças que nos atingem no centro da nossa brasilidade, na nossa essência, no cerne do que é ter nascido em terras brasileiras e toda a sua mistura de raças, de credos, de religiões. Somos penitentes em uma terra de alegria nefasta. Uma alegria que nos anestesia como se fossemos as costas sangrando dos penitentes – Paulo Marcos M. Lima, fotógrafo e professor.

Penitentes. Bahia, 2017. www.guyveloso.com

(c) Guy Veloso. Série Penitentes (2002-2017), Juazeiro-Bahia, 2017.

http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 2 de May de 2017

Veloso’s book text. 2017

The souls are hungry and their food is prayer.

(Guy Veloso)

 

The Photographer from Pará, Guy Veloso possesses a rare quality: very early in life he could define his theme of interest in the field of Photography and has been keeping it avidly and that’s the way it will be forever.

Guy Veloso. Livro da editora Ipsis. 2017.

Guy Veloso. Livro da editora Ipsis. 2017.

The methodic research of such a complex theme as the Brazilian religious manifestations has transformed; him and his photographic work

 

If, in the beginning we detect a classic documentary maker spinning around his own object, as the years pass by with accumulated knowledge and intimacy, Guy’s photography has stopped representing the rituals and started presenting them.

 

This change is truly a ritual of passage; the documentary photograph becoming the visual artist.

 

Photography leaves its role as a support art where one only records impressions, to becoming an extension of his deep immersion in this new universe. It leaves behind its one-way documenting to being the legitimate and dialogic of one encounter with the other, the unnamable with the Divine.

 

“Earth in trance”. The title of Glauber Rocha’s movie, most specifically the idea of trance, of the ecstasy of religious faith was the keyword that has given direction to the photography in this book, picked from the almost infinite archive of the artist.

 

The idea of having the keyword trance for our edition came to me after realizing how the devotees from the most varied religions search for ways to transcend reality.. Religion, from this point of view, would serve as a refuge, a sacred place of gathering and comfort.

 

Marked by the most varied gestures, clothing, scenarios and rites, all the religions crave for contact with their Divinities, as named, after searching thru Guy’s archives as “Trance”.

 

It’s intriguing to observe Guy’s photographic archive evolves; as his photographs start becoming more organic in facing their object. Evolving to the point where object becomes subject, demolishing frontiers between the artist and the theme. The object becomes a mirror. In a vertiginous flow, the light, color, texture and movement becomes an emphatic representation of the Divine, the Transcendent. For that, the act of photography leaves the door to chance consciously open.

 

When the edition was completed, we decided to have a conversation in Belém, so I could go deeper on some points regarding his intense investigation on religion in Brazil. To my surprise, when I asked how religion had come into his life, the movie “Earth in Trance”, from Glauber Rocha was his response. As I was re-reading the transcript of our interview I realized that, in this case, no one better than the author could describe his own experience in creating this book.

 

First Pilgrimage

 

My life changed when I started watching movies about the backwoods, such as the ones of Walter Salles and Glauber Rocha. They gave me the feeling that “I had to get to know this better”. I hadn’t been to the Northeast yet as a photographer, only as a child. I went to my first pilgrimage at “Juazeiro do Norte”. That was just fantastic; it got stuck in my mind. That was when I started to see that the great majority of pictures I had were not from Belém, they were from a bit of the city bonded to religiosity. That was when I took this theme for myself and which I may take for the rest of my life. I have photographed my first pilgrimage in 1988

 

Backgrounds

 

I come from a family of Lawyers, but they have always influenced me in the arts field. My aunt Andrea Benchimol is a painter. I used to get those painting collections from the newsstand and then, when I turned seven to eight years old, I started painting. I still have some of these paintings from that time. After that I gave it up.

 

Today I like to see it as the naive style I had that time. I loved the art classes and I had the best of teachers, Afonso Medeiros, who is now a professor at the Federal University of Pará, and who was, at that time, my school teacher. I can still picture him describing Michelangelo’s Moses. I was only 15 and liked Volpi already. I was aware of the week of Modern Art. While others used to study math, I was studying arts.

 

I also remember that when I was 14, I left the house all by myself, locked the door behind me, and went to Caetano Rufino street, and four blocks ahead I was at “Teatro da Paz” to admire Luiz Braga’s exhibition. I was taken by that. It was my first exhibition and it was quite a shock! Later I was influenced by an uncle who lives in Rio, Andre Costa dos Santos, who had a manual camera and taught me how to use it. And finally at age 17 I got my first camera, a Nikon N2000.

 

I passed the test for Law at that time and, at the same time, I started photographing. I guess one of the reasons was to escape a little from the formality of law school. I graduated with a Law degree, knowing deep inside that it was not for me…

 

I took a photography course in Belém with someone I had never met, a guy from Sao Paulo named Fernando Del-Pretti. It was a week-long course and he taught me all the technical aspects of photography. I used to photograph the city using the influence I had from Luiz Braga and Cartier-Bresson. That was a time when Belém wasn’t violent so I could walk all over taking pictures of everything.

 

During law school, photography was parallel to it. I used to take pictures of the city and “Cirio de Nazare”. I have pictures of that time, since 1989. Another remarkable influence was my friends from FOTOATIVA, founded 33 years ago by Miguel Chikaoka.

 

Something that had impressed me a lot, was when I was 23 years old and decided to follow the Santiago Path in Spain.

 

I walked all 800 km in 37 days and when I got back I was deeply changed. I returned being sure that Law was not for me. I wanted to do something artistic, and couldn’t decide at that time if it was advertising, as I have always liked to write, or photography, or maybe both…I have worked in an advertising agency. I was also a public agent, and with   that, I could pay for my exhibitions, trips and could also start investing in those projects. Today I am a photographer and have left all the rest behind.

 

My first exhibition was a collective in 1989, with Fernando Del Pretti. We shared the Angelus Art Gallery at “Teatro da Paz”. It was all about pictures of Belém.

The first individual exhibition was not until 10 years later. I like to be involved in projects that take years to mature before being exhibited.

 

Juazeiro do Norte

 

At that time I was already a mystical person, which I still am. The religiosity of those people made my faith stronger, and also moved me and enriched my pre-existent immaterial culture. Some of the pilgrims believed that Juazeiro is the New Jerusalem and that the world will end there.

 

These millennium concepts touch me very strongly for I have lived my teenage years during the 80’s under the imminent danger of a nuclear war. Well, at least that was what the media was portraying, and it interested me a great deal, for that is also religious from my point of view.

 

This is something I still shoot: People and communities who believe in the end of times. Some of them have already set a date. There is a man who has set it many times, but  thank God he was wrong. I have him on photos and videos. I photograph him every year. He still uses a cart pulled by a donkey and goes everywhere preaching, for that people call  him “ The Prophet.”

 

Since 1988 I have been on every pilgrimage during “Finados” (a holiday to honor the death) in Juazeiro do Norte.

 

I intend to keep doing that. Something intriguing they have there is a community which lives from mendicancy: Jesus’ birds… I saw them in 1988. Some 20 people arriving at the church where Padre Cicero is buried the “Socorro” Church. That woke me aesthetically for they wear blue robes with crosses painted on the back, carrying small flags. So I thought: I want to photograph that! The next year I went to their homes, which are also blue and that made me interested in this theme, the one I follow until today:  The Penitents.

 

The Penitents

 

In 2012 I took my first trip to Recife during lent, to look for groups of Penitents. The great majority of them are secret groups. So, after a lot of negotiation with people from Sergipe (including the teacher Maurelina dos Santos) I received permission to photograph them. Unlike people from Juazeiro they are commoners from varied religions who, through familiar traditions, travel through the streets covered in their shrouds during lent and   Holy Week, praying for the souls in purgatory, whom they believe are suffering. The souls are hungry and they feed on prayers. I fell in love with the theme.

 

Common people leaving work, ladies leaving their favorite soap operas behind to pray and walk long distance singing wailing songs, even in Latin. My research was the first to prove that this ancient ritual, also called “Commendation of the Souls”, “Lamentation of the Souls”, “Food of the Souls”, “Revelry of the Souls” or simply “The Penitents” exists on the five regions around this country.

 

Amongst them there are also a few groups, always formed by males, which practice self-flagellation. The only exception being a woman in Bahia’s backwoods who decided to practice it herself and the bigger group accepted her. A lot of blood came out of her back.  The next day I visited her and her wounds were completely dry. They typically whip themselves and then bath on the Sao Francisco river, or they put herbs and some cachaça over the wounds and they heal incredibly fast.

 

The Penitents are my most extensive research subject. I have documented 177 groups. It’s an ancient ritual. The church rarely participates and many times these groups practice where  church is not even present, like a district or a community who has a priest once a year. The leader is called Decurion and they hold a political role over these people and the community.

 

This kind of penitence comes from Italy, where during the black plague; communities practiced self-flagellation to discover the cure for mankind. As it came to Brazil during the colonization era they assumed a new characteristic: The Penitence did not aim to save mankind from any disease: this was accomplished by the souls.

 

The rituals are similar all over the country, including their songs. They stop 7 times during the pilgrimage at strategic points for singing and praying. The self-flagellation happens only amongst 4% of the groups and usually during Holy Thursday or Holy Friday. They use the whip which is made (at least in Cariri) from deer leather with pieces of machetes cut at the edge. They beat themselves very hard, losing a lot of blood. It is only over when their clothes are completely red with blood. I have seen this happening and the devotee goes into a state of bliss, while cutting himself/herself.

 

The Decurion/leader never self-flagellate, for someone must have the power to see that people do not faint and die. When he orders someone to stop, he or she obeys him blindly. The Penitent hierarchy is very powerful and respected.

 

Religion and art.

 

Religion is even more important to me than the art. That’s how I see it: Religion first, art second for this is something that keeps me going, enjoying life and believing that the next day will be a better one. I believe in reincarnation, I believe we are all just spending some time here, but the true place is in the afterlife.

 

To be with these people, photograph them and talk to them, just increases my faith, even if they are of a different religion than my own.

 

Besides that, getting to know Brazil enriches my life… The deepest backwoods, which I love, living rituals that nobody cares to know about – some of them unfortunately don’t even exist anymore; others I was the only person to keep a record of. And that is the research I enjoy greatly, also the transcendence which is far greater.

 

Kardecist

 

I am Kardecist now, but I was a Catholic before. If there’s a chance I have embraced other religions? Who knows maybe…I am open-minded. So much that I profess the Spirits faith, but I also read about other things, Hindi philosophy, Buddhism…

 

Kardecism helps me answer questions about our existential anguish. What it is being born, living, dying? Yet, what I photograph helps me in another way. It gives me spiritual strength. The Devotees usually help my “spiritual search” with their faith. We are just on different paths. They give me knowledge. When I am at Candomblé, it feels like I am one of them. Of course I have never lied to them, but I feel like being one of them anyway. I sing in Yoruba and Banto the few songs I know. When I am with the Penitents I am part of the group.

 

I am a Kardecist, but I pray with whomever I am photographing, for God is one in my opinion.

 

Art is socialization

 

My evolution from a documentarian to an artist happened when I started being more integrated with groups. Leaving “the outsider” behind and jumping in.

 

This integration can only come through the codes of art. I can’t see myself as a documentarian anymore. I see myself as an artist who doesn’t seek to portray religiosity but as someone who wants to live it fully in its varied forms.

 

This way I get into it in multiple forms: physically. I start to get closer to people, I photograph them from 1 meter distance. They don’t feel threatened by me anymore; they already know me, trust me. I also get into it emotionally and spiritually.

 

The common denominator

It is love, faith and caring for the other. It is trying to do your best. It is the fragility of holding on to something.Our fragility facing life.

Today I see all the religions as one. Clothing may change, rituals may also change but all of them have the same purpose of appeasing human anguish.

 

At the Arte Pará 2014*, I had an individual exhibit showing pictures of Candomblé,  umbanda and Catholicism in a Jesuit Church from the XVIII century during the time of the procession of “Cirio de Nazaré” . I put the titles and texts about them far away so people could be inside the images – not having to worry about identifying them. Editing and aesthetics helped the majority of time for people not knowing which religion the picture was about. People thought it was Catholic, but in fact it was Umbanda or vice versa. Belem carries a lot of prejudice, and this exhibit was a way to thinking and talking about it. The inter-religious discourse and its risks are part of my work.

 

Immaterial Culture.

 

My research is developing: I have videos, audios, texts, original shrouds from the Penitents, as well as photographs. I keep books and flyers. It is an immaterial culture that is fading away slowly. I care about keeping records of everything, for example being interviewed by my closest ones. I have 100 hours of interviews.

Some of the groups I have shot and interviewed are gone now. About the Penitents, the majority cannot read or write and the songs are passed on orally. When the Decurion/leader dies, if no one can remember the song, then it is gone.

 

There is a group in Sergipe that was the only one to wear a crown of thorns. It wasn’t supposed to hurt but to serve as an aesthetic element. I have photographs proving it. This group is also gone now.

 

I think religiosity will go on until I die. My research on the Penitents is going to be over one day.

 

First I thought it would be over in 7 years, after that I thought that there were five more regions to go…I have proved that. I thought it was ok, but the next year I caught myself needing more. It’s been 15 years now and I do not want to stop for every year I find out something new.

 

Nowadays, besides The Penitents and afro-descendant rituals, I have been researching the Sebastian’s, which are still very present in Brazil. These rituals are based on Don Sebastian from Portugal. There are some who believe he is coming back or that he is already here as a spirit. Many are Millenarians, people who believe in the end of the world. I have interviewed Don Sebastian himself recorded as a video of someone “possessed” by him.

 

The Penitents have the history that has touched me the most: After photographing the same group of “feeding the souls” in Juazeiro da Bahia, for more than 7 consecutive years, their Decurion/leader Mrs.Jesulene Ribeiro announced to everyone that I was officially a member of that community. I had the same duties and privileges,I just would not be covered by their clothes. And it is like this until today.

 

I guess now, I have become my own theme.

 

*Guy Veloso’s interview to the curator Eder Chiodetto, June 2016, Belém PA

*Curated by Paulo Herkenhoff and  Armando Queirós

 

English version: Isabela de Luca.

livros

Posted by: guyveloso | 17 de March de 2017

Coleção Ipsis de fotografia brasileira

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Posted by: guyveloso | 15 de March de 2017

Iemanjá

Iemanjá. Belém-PA (Amazônia), Brasil. 2016. (c) Guy Veloso / www

(c) Guy Veloso. Festa de Iemanjá, Belém-PA (Amazônia), 2016  / African-american ritual, “Iemanjá”, Belém-PA (Amazon), Brazil.

http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 10 de March de 2017

Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira

Elza Lima e Guy Veloso: a fotografia paraense na Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira. Organização: Eder Chiodetto.

Lançamento: 7º Festival de Fotografia de Tiradentes, 24 e 25 de março de 2017.

documentary photography brazil

Foto: Guy Veloso. Vale do Amanhecer, Planaltina-DF, 2015.

A Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira, uma iniciativa da Ipsis criada em 2013 para prestigiar a fotografia nacional, inicia o ano lançando dois nomes do notável cenário da fotografia paraense: Elza Lima (vol. 5) e Guy Veloso (vol. 6).

Com um trabalho intenso permeado de inovações, ambos desenvolveram linguagens próprias que abordam temas densos: Elza evoca o onírico e faz uma narrativa de poética singular sobre a vida de ribeirinhos e caboclos amazônidas e Guy Veloso nos transporta para um mergulho inquietante e profundo na fé dos devotos de diversas religiões praticadas no Brasil.

A fotografia entrou na vida de Elza antes mesmo que tivesse consciência dela quando, ainda criança, descobriu fascinada dentro de um armário uma foto que o bisavô havia trazido da Europa. Ao retratar o interior da região amazônica ela relembra o rico imaginário vivenciado na infância ampliado com a leitura de clássicos, de obras sobre a Amazônia e de mitologia: “Acredito que um bom fotógrafo está sempre respaldado no imaginário. Meu trabalho é muito voltado para o sonho.”

Uma cultura imaterial existente, riquíssima, que emociona e transcende, assim Guy Veloso define as manifestações religiosas que fotografa há 30 anos, com especial destaque aos penitentes que cometem auto-flagelo, um dos destaques da 29a Bienal de Arte de São Paulo. Trabalho dedicado, vivenciado, fruto de uma pesquisa aplicada, que abriu um diálogo tão intenso entre autor e objeto fotografado que findou numa rara e extraordinária situação: virei meu próprio tema, diz o fotógrafo.

Cuidadosamente selecionados por Eder Chiodetto, renomado curador da área de Fotografia e organizador da Coleção Ipsis, Elza e Guy são representantes de peso da fotografia contemporânea documental com trabalhos expressivos que abordam de forma distinta, singular, aspectos de nossa cultura.

Eder define o trabalho de Elza como uma “poética fluída e especial, que cria a possibilidade de fabular por meio das composições labirínticas que intercalam diversos planos, fato que confere grande originalidade à obra da artista”.

Sobre a produção de Guy, o curador destaca a intensidade da imersão alcançada pelo fotógrafo com o tema de seu trabalho que ultrapassa a própria fotografia e remete ao transe, criando uma transcendência entre o autor e sua área de pesquisa. A idéia do “transe”, aliás,  foi a chave que o curador propôs ao autor para selecionar obras de seu imenso acervo.

Através das escolhas de Eder Chiodetto, a Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira contribui para o enriquecimento da área lançando o primeiro livro dos autores que ainda não possuíam publicações dedicadas exclusivamente às suas obras.

Serviço: Lançamento da Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira, volumes 5 e 6
no 7º Festival de Fotografia de Tiradentes, informações no Facebook
(  https://www.facebook.com/events/210287209379300/  )

Programação:

Exposição e autógrafos: Espaço Ipsis – Sobrado Quatro Cantos / R. Direita, 5

Bate-papo com Elza Lima e Eder Chiodetto, mediação: Tiago Santana
24/ 03, sexta-feira – 20hrs
Centro Cultural Yves Alves / R. Direita,168 -capacidade de público: 120 pessoas

Bate-papo com Guy Veloso, mediação: Eder Chiodetto
25/ 03, sábado – 11hrs
Teatro Casa de Bonecos / R. Direita, 288

Realização: Ipsis Gráfica & Editora
Organização, pesquisa e textos: Eder Chiodetto
Quando: 24 e 25 de março
Onde: 7º Festival de Fotografia de Tiradentes, MG
Sobrado 4 Cantos, Rua Direita, nº 5

Preço: valor de capa R$ 50,00 no lançamento Desconto de 20% – R$ 40,00. Pacote com os 6 volumes – R$ 220,00.

Sugestão para entrevistas:
Eder Chiodetto

/ (11) 4305-8022 / ederch@uol.com.br

Atendimento à Imprensa
Magali Martucci | Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira

 (11)  95982-9018 / whatsapp (11)  98130-1095 / colecaoipsis@gmail.com

Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira
(http://colecaoipsis.com.br)

Criada em 2013 com o propósito de homenagear a produção nacional em livros de imbatível qualidade e preço acessível, a coleção apresenta a produção de fotógrafos referenciais que pesquisam a brasilidade em suas diversas manifestações. Araquém Alcântara, Nelson Kon e Cristiano Mascaro e Thomaz Farkas compõem os 4 primeiros volumes.

Organização, pesquisa, organização e textos: Eder Chiodetto (http://ederchiodetto.com.br)

EDER CHIODETTO [São Paulo, SP, 1965] é mestre em Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Atuou como repórter-fotográfico (1991-1995), editor (1995-2004) e crítico de fotografia (1996-2010) no jornal Folha de S. Paulo. Hoje, reúne as funções de jornalista, professor, curador e pesquisador de fotografia.
Como curador independente realizou, desde 2004, mais de 80 exposições no Brasil e no exterior. Chiodetto é também o curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM-SP desde 2006, diretor do Ateliê Fotô e publisher da Fotô Editorial.
É autor de diversos livros, entre eles, “O Lugar do Escritor” (Cosac Naify, 2002) “Geração 00: A Nova Fotografia Brasileira” (Edições SESC); “Curadoria em Fotografia: da Pesquisa à Exposição” (E-book, Prêmio Marc Ferrez/Funarte) e “German Lorca” (Cosac Naify), entre outros.

 

IPSIS GRÁFICA E EDITORA
(www.ipsis.com.br)

A Ipsis Gráfica e Editora S/A, empresa com 70 anos de atuação, é reconhecida por sua excelência gráfica, patamar alcançado através de constantes investimentos em pesquisas, técnicas, equipamentos e materiais especiais e na troca de experiências com editores, produtores culturais, designers, fotógrafos e artistas plásticos visando à obtenção plena de um alto padrão de qualidade.

Considerada a melhor gráfica editorial do país, tornou-se um referencial na produção de livros de arte e de literatura, luxuosas revistas segmentadas, bem como catálogos e relatórios anuais empresariais. A Ipsis também se distingue por ser a gráfica nacional mais premiada, condecorada mais de uma vez com o “Fernando Pini”, Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica, com o latino “Theobaldo de Nigris” e o internacional “The Premier Print Awards – Printing Industries of América”, conhecido como “Benny”.

Instalada desde 2011 em um moderno parque industrial de 12.000 m2 no município de Santo André, São Paulo, a empresa é autossuficiente na maioria das etapas de produção, conta com mais de 250 colaboradores diretos e indiretos e empenha-se constantemente para sedimentar  processos já certificados como o FSC® e ISO 9001: 2008.

http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 9 de March de 2017

Portela 2017. A grande campeã.

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Foto Guy Veloso. Portela, desfile de 2017 / Rio’s carnival parade – Portela, 2017.

http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 24 de February de 2017

Guy Veloso. Livro da editora Ipsis. 2017.

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