Posted by: guyveloso | 22 de July de 2015

Texto de Tyara de La-Roqcque para Revista Benjamim

beij

Ouço, naquelas fotos, o som do sino litúrgico, das ladainhas e dos lamentos. Escuto o clamor, o grito do desespero e da libertação. O gemido da dor, o silêncio e a voz da confissão. Sinto o arder dos pés peregrinos, o suor da pele que queima ao sol escaldante, o cansaço do esgotamento físico. Sinto a paz. Naqueles retratos, a fé se apresenta com toda a sua força. Paixão e delírio, olhares em êxtase, mãos que suplicam, respiros de devoção plenos de afeto.

Daquelas imagens, chega até mim o ritmo dos atabaques, o movimento das danças e a levada do cortejo. Vem à minha boca o sabor do alimento sagrado no Congá. Posso intuir o cheiro das flores, das ervas da Jurema, do fogo que renova e ilumina os caminhos na multidão. Nos corpos performáticos, o sagrado se materializa, não importa a religião. No claro ou no escuro, há vida. E sempre a poesia, mesmo na mais perturbadora das imagens.

Vejo o transe fotográfico. Aplausos para Guy Veloso.

Revista Beijamim. TYARA DE LA-ROCQUE é jornalista cultural. – tyaradelarocque.pressfolios.com

[ Imagem: fotografia de Guy Veloso ]

Posted by: guyveloso | 15 de July de 2015

Umbanda. Juazeiro-Bahia. Foto Guy Veloso

Guy Veloso. Ritual de Umbanda, Juaziero-Bahia, 2015. Digital.

Fotografia documental documentary photography

Posted by: guyveloso | 9 de June de 2015

Penitentes

Penitentes. Guy Veloso

Guy Veloso. Penitentes, Ceará, 2004. Negativo.

Sobre:
CATÁLOGO GRÁTIS: Penitentes na 29a BIENAL DE SP:http://issuu.com/guyveloso/…/penitentes_-_cat__logo_v11_issu

Texto de JOSÉ DE SOUZA MARTINS para a ZUM:http://revistazum.com.br/revista-zum-3/a-fe-na-encruzilhada/

http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 1 de June de 2015

Marujada de São Benedito, Braganca-PA, Amazônia

Guy Veloso. Marujada de São benedito, Bragança-Pará, 2013. Digital.

http://www.guyveloso.com

marijada de braganca

Posted by: guyveloso | 16 de May de 2015

Crítica de Heldilene Reale

Guy Veloso realiza cuidadosa negociação prévia, pois só consegue fotografar sentindo-se aceito pela comunidade. Em seus trabalhos autorais utiliza apenas lentes 35mm, pois pretende chegar bem perto das pessoas envolvidas, conhecendo de maneira íntima o fato por trás da lente. Para que isso ocorra, cria um canal de negociação com os sujeitos envolvidos, estabelecendo assim nesse percurso a estética relacional – Heldilene Guerreiro Reale, Dossiê, Arte & Ensaios | revista do ppgav/eba/ufrj | n. 27 | dezembro 2013.

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Guy Veloso. Umbanda, Pai Pingo, Belém-PA, 2015. Digital.

http://www.guyveloso.com

Guy

Há uma atmosfera onde as fronteiras entre o documental, real, surreal, espiritual se confundem, ou melhor: é fascinante esta fusão. Afinal como documentar o espiritual? Guy Veloso fez isso com a luz. Parecia impossível representar o pensamento, mas um dia foi feito uma escultura, assim, vejo a energia que as cores das imagens emergem – Erica Oliveira, estudante de Artes Visuais, 2014.

Penitentes GuyVeloso documentaryphotograpy brazilianart

Foto Guy Veloso. Penitentes, Juazeiro-Bahia, 2004. Slide. 29a Bienal de SP/2010.

A palavra religião vem do verbo latino religare, que significa religar os homens. Então se essa palavra, se essa força, se essa junção, se essa crença que é a fé pode trazer paz às pessoas, que voltemos à sua origem etimologia no sentido de conectar, e não de separar as pessoas. E ao mesmo tempo insistir que todos devemos respeitar a religião de cada um. No caso das religiões afro-brasileiras, esta violência está extremamente exacerbada, é algo que remonta a momentos obscuros da sociedade ocidental que é impor através de métodos sejam eles psíquicos, políticos, físicos etc. uma idéia sobre o outro. E ao mesmo tempo pensar que a tarefa dos que querem um mundo mais democrático é não só trazer essas religiões afrodescendentes à visibilidade, mas compreender que elas – como Verger compreendeu, como Rubens Valentim – não estão no campo do folclore, elas não estão no campo da superstição, mas elas estão no campo dos valores, os mesmos que ligam as pessoas – Paulo Herkenhoff (pronunciamento na abertura do 33ª Arte Pará, sobre Guy Veloso, artista homenageado, Fundação Rômulo Maiorana, Belém-PA, 09.10.2014).

Vwja no: https://www.youtube.com/watch?v=6AdyJgBN4Yc

Umganda

Foto: Guy Veloso. Dia de Exu, Terreiro de Mina do Rei Sebastião e Toya Jarina, Belém-PA, 2013. Digital.

Posted by: guyveloso | 4 de May de 2015

Crítica de Paulo Herkenhoff

Crítica de Paulo Herkenhoff no catálogo da exposição Pororoca, MAR-Museu de Arte do Rio, 2014
pororoca_guyveloso_mar
Guy Veloso viu o mundo, ele começava em Belém,
no Círio de Nazaré. No Pará estava a matriz da diversidade
e, na arte, sua possibilitação de convivência
na diversidade.1 Para isso, é necessário transcender
a noção de homem bíblico.2 Se para um Pierre
Verger turista-fotógrafo-antropólogo urgia deixar
Paris, não importa para onde fosse pelos continentes,
até mesmo atravessar a Belém amazônica, para
Veloso é preciso partir de Belém e a ela voltar sempre.
De toda a fotografia de Belém, até mesmo do Círio
de Marcel Gautherot ou dos rituais afro-brasileiros
de Pierre Verger, Guy Veloso representou profundamente
a interpretação polissêmica integrada inter-
-religiosa, reduziu-a a um ato único, o êxtase do alvo
e a contorção do tempo da câmera caçadora nos domínios
do sagrado. O transe é fusão extática do corpo
apropriado e dobrado pela fé, da excitação significante
do fotógrafo e da contemplação do espectador.
O caudal imagético – que se faz no tempo e nele se
condensa – é mantra visual que se repete, reinventa,
ora, imbrica, diferencia, aproxima e desdobra entre
os meandros do cortejo visual da diferença. Isso é
o caudal amazônico de body languages por almas as
adas de seus corpos. Já não é o corpo tomado, mas
o próprio corpus de imagens que se transfigura em
olhar. Daí, a experiência da arte de Veloso ser o encontro
com um corpus em êxtase.
Guy Veloso articula encontros de fé.3 A câmera é
tenaz na aliança por imagens da arca da diversidade
religiosa do Brasil, das diferenças e das convergências.
Em tempo de insidiosa intolerância das doutrinas
fundamentalistas no Brasil e no mundo, o artista
aposta na arte como instância de diálogo e de entendimento
para a construção do respeito devido por todos
a cada um.
Nessa compreensão está seu diagrama
de convivência social e um sentido político de igualdade
e razão contemporânea para a ideia de religião.
Há na obra dele a produção de conhecimento, como
no filósofo e historiador das religiões Mircea Eliade,
sobre o fenômeno do sagrado e não, simplesmente, a
antropologia visual da religião. Eliade hierarquiza as
religiões, tais como as “rudimentares”, mas seus estudos
sobre o sagrado, a festa e a guerra demarcam
estratégias para os ritos, demarcados para originar “gestos importantes
e fé bastante para os fazer parecer necessários”, essenciais à vida.4
Na romaria fotometafísica de Guy Veloso, o grande
curso público da fé funde-se num essencialismo imagético
e unificado pelo transe. Imagens em estado de
devir Outro. Na arte de Veloso, o transe é para todas
[as religiões], como a histeria é para todos [os sujeitos]
na produção de Louise Bourgeois. O igualamento
acima de todas as verdades autoproclamadas como
absolutas. O psiquiatra Charcot e o filósofo Georges
Didi-Huberman demonstraram a mesma origem comum
e a fala contorcida do corpo sem escuta.
Entre o esconjuro, o descarrego e a autoflagelação – fala-se
agora da arte de Veloso – a dependência entre a conversão,
o inferno e a fortuna, como ocorre em algumas
religiões rentistas por denegação loquaz, conceito
freudiano, em que o Não termina como Sim.
A fotografia de Guy Veloso desdobra-se em ângulos
de captura da cena de exercício da fé. O conjunto
transita entre a interioridade do Ser, o êxtase diante
do Outro e o corpo em estado de sublimação. “Pode-
-se rezar sem compreender as palavras”, afirma Jacques
Derrida, pois, “a oração é um ato. Faz-se ago,
mesmo se o significado permaneça opaco.”5 Portanto,
se é possível rezar sem entender as palavras, a obra de
Veloso é oferta do significante ao espectador, não importa
sua religião, para momentos de encontro com
o inominado.
Contra as primazias e fundamentalismos
religiosos, o artista aponta para a etimologia da
palavra religião e a ideia de “religar” os homens acima
de seus conflitos porque os terrorismos em nome
das religiões monoteístas recorrem ao fogo – armas,
coquetéis molotov, explosivos, ameaças de Inferno e
culpa – para construir sua entropia de Deus. O corpo,
nessas imagens de Guy Veloso, explode em notações
pela luz prodígio.
 
Paulo Herkenhoff
1 Paráfrase da grande pintura de Cícero Dias Eu vi o mundo… E ele começava no Recife
(1931).
2 REHFELD, Walter I. Tempo e religião. São Paulo: Perspectiva, 1988.
3 O substantivo fé está no singular, evitado o plural que é diviso em muitas possibilidades
conflitantes.
4 ELIADE, Mircea. O homem e o sagrado. Sem tradutor. Lisboa: Edições 70, 1988.
p. 161.
5 DERRIDA, Jacques. Body of prayer. Conversa com David Shapiro e Michael Govrin.
Kpm Skapich (ed.). Nova York, The Irwin S. Chanin School of Architecture, 2001. p. 59.
Posted by: guyveloso | 9 de January de 2015

Círio de Nazaré, Belém-PA

Círio de Nazare, Belém PARÁ Brasil Brazil

Guy Veloso. Círio de Nazaré (Patrimônio Imaterial da Umanidade – Unesco), Belém-PA, 2004. Slide [Cirio procession, Belém-PA (Amazon), Brazil].

http:www.guyveloso.com

 

Posted by: guyveloso | 9 de January de 2015

MORTALHAS [Shrouds]

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