Posted by: guyveloso | 22 de August de 2017

Guy Veloso. Brazilian doc photographer

(c) Guy Veloso. Rio de Janeiro, março 2017. www.guyveloso.com

Guy Veloso. Rio de janeiro-RJ, 2017. 

 

. Contato/contactguyveloso@hotmail.com

Críticas / critics

Textos, entrevistas, artigos / links, articles, interviews & texts

Bio [port/eng]

. Fanpage

. Instagram

 

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Posted by: guyveloso | 12 de July de 2016

Mortalhas / Shrouds (site specific)

English below

Projeto MORTALHAS. Convidado para a Biennial of the Americas/2017, Museo de las Americas, Denver-Colorado. // SHROUDS Progect (site specifc). Invited to the  Biennial of the Americas/2017, Museo de las Americas, Denver-Colorado, USA.

 

 

MORTALHAS, 2013. (c)  Guy Veloso

São indumentárias ritualísticas autênticas de grupos de Penitentes do sertão (Ceará, Bahia, Sergipe e Pernambuco), entregues ao artista pelos “Decuriões”, os chefes destas confrarias (muitas delas secretas), trasladadas a uma galeria de arte ou sala de museu.

Os mantos depois de recebidos nunca foram lavados. Ainda possuem o cheiro e a egrégora dos religiosos que a usaram. É de se ressaltar que vários deles foram utilizados em rituais de autoflagelação durantes anos. Pelos ícones (cruzes, corações, orbis, sóis, rosas etc.) presentes, é possível fazer um estudo das diferenças simbólicas entre os diferentes grupos e regiões.

Este trabalho artístico de Guy Veloso faz também referência ao velame das naus que aportaram do Brasil há pouco mais de 500 anos trazendo (à força) a fé cristã; como também, às tatuagens dos escravos que abalizavam na pele ora os símbolos de suas origens, ora as marcas de seus algozes (alguns penitentes estão localizados em terras remanescentes de quilombos).

Há também uma identificação clara à heráldica medieval, porém, de uma forma bastante diferente dos livros de história ocidentais. Enquanto os símbolos europeus fazem alusão aos feitos heroicos e insígnias da realeza, constituídos sempre de lustroso ferro e metais nobres, já no caso da “heráldica sertaneja”, ao contrário, embora pensada e estudada pelos seus criadores (a maioria deles analfabetos), sempre usando do seu imaginário geográfico-religioso, há nela uma aura mística, humilde, não ostensiva, isto evidenciado pelo material (panos simples e geralmente gastos pelo tempo) da maioria dos objetos. Mesmo assim, se não na riqueza, a estética destes últimos faz jus aos primeiros.

Forma de exibição.

Colecao GuyVeloso MORTALHAS PENITENTES CARIRI

Museu Histórico do Estado do Pará, Belém, 2014 (vídeo). Artesãos: Joaquim Mulato (Barbalha), Antonio Cruz (Caririaçu) e autores anônimos. Tecido bordado. Coleção do artista.

 

As indumentárias sagradas são suspensas com fios ou arames e deixadas no teto, balançando às correntes de ar, equidistantes dos visitantes.

 

São colocadas no mínimo 13 (sugestão à carta de Tarot “Morte”), podendo ser adicionadas outras de acordo com a curadoria/tamanho e forma da galeria (há mais de 50 disponíveis), porém, sempre em número ímpar, conservando uma tradição de várias Ordens de Penitentes.

 

Curada pelo próprio artista, o projeto Mortalhas foi exibido apenas uma vez, em setembro de 2014, no MHEP – Museu Histórico do Estado do Pará, na mostra “Amazônia Ciclos de Modernidade” (vídeo), curada por Paulo Herkenhoff.

 

É a primeira vez que o artista usa uma técnica diferente da fotografia, no caso, realizando uma instalação com deslocamento de objetos.

Trata-se de uma derivação do Projeto Anterior de Guy Veloso, Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo (exibido na 29ª Bienal de São Paulo/2010), quando de 2002 até 2015 foram documentados 163 destas Confrarias místicas, de tradição oral e de caráter secreto nas 5 regiões do país.

Segundo o crítico e escritor Ronaldo Entler, “Guy Veloso talvez tenha deixado a fotografia. Ou talvez tenha ido buscá-la em outras formas de encarnação, em manifestações mais sincréticas, mais impuras, como tantas entidades sagradas”.

Mais sobre os Penitentes: Catálogo da 29ª Bienal de São Paulo/2010.

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Museu Histórico do Estado do Pará, Belém, 2014. Artesãos: Joaquim Mulato (Barbalha), Antonio Cruz (Caririaçu) e autores anônimos. Tecido bordado. Coleção do artista.


ENGLISH

 

Guy Veloso have pictured over 15 years Penitents of Souls Brotherhood (many of them secret) in Brazil, which happens deep inside the country and hardly known.

 

Altogether, there were 163 groups across 11 states (Pará, Amapá, Sergipe, Bahia, Pernambuco, Ceará, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná and Santa Catarina), being the first researcher to propose the theory and prove the existence of this secular and oral manifestation all over the 5 regions that the country are geographically and politically divided.

 

Veloso often used to return, for several years, to the same groups, offering them some photographs. In return, I got ritual objects, including the sacred capes.

 

Among the capes were given (over 50), Veloso selected the most dramatic ones and make an installation/site specif.

 

The capes still maintain the smell (something material, maybe) and the egregore (immaterial) of penitents, some of them, who practiced self-flagellation ritual. Throughout the symbolism in it (crosses, hearts etc.), colors and sizes, it is possible to make a study of regional differences between the groups.

 

Curated by the artist himself, it brings references to the canopies used in the Portuguese ships which have come and settled this country, and also to the heraldry. It’s about a deployment of his last photography project: “Penitents: From the rivers of blood to the fascination of the world”, (which was exhibited at the São Paulo Biennial in 2010 curated by Agnaldo Farias and Moacir dos Anjos).

 

It is the first time that Guy Veloso uses a tecnique different from photography ( his primary Art), in this case he is using an installation made by objects of the Penitents use (Video).

 

More about the Penitents (Project/photos by Guy Veloso – eng & port): 29th São Paulo Biennial catalog.

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Embroidered fabric. Guy Veloso’s collection.

Posted by: guyveloso | 17 de August de 2015

Críticas/Critics

Série Penitentes (29a Bienal de SP). Guy Veloso

Guy Veloso. Série “Penitentes”. Juazeiro-Bahia, 2014. Digital.

 

CRÍTICAS/critics  (ENGLISH below ):

Já não é o corpo tomado, mas o próprio corpus de imagens que se transfigura em olhar. Daí, a experiência da arte de Veloso ser o encontro com um corpus em êxtase – Paulo Herkenhoff. Texto do catálogo da mostra Pororoca, MAR-Museu de Arte do Rio, 2014.

Fica transparente esta relação ambígua entre o que é devoção e o que é violência – Moacir Dos Anjos, curador, programa Artes Visuais Brasil, SESC TV, 2011.

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Guy Veloso. Série “Penitentes”. Ritual de autoflagelação, zona rural de Juazeiro-Bahia, 2014. Digital.

A obra de Guy Veloso prima pelo trabalho com a luz. (…) Suas fotografias exploram gestos e feições limítrofes, muito próximas do esgotamento físico, da dor, do delírio e da paixão – Paulo Miyada, curador, catálogo Penitentes.

Este ano Arte Pará homenageia o artista Guy Veloso com sua obra dedicada aos encontros da fé. Sua câmera é tenaz na busca por imagens da rica diversidade religiosa brasileira das diferenças e as convergências. Um tempo de insidiosa intolerância das doutrinas fundamentalistas no Brasil e no mundo, Guy Veloso aposta na arte como lugar como lugar de diálogo e de entendimento para a construção do respeito devido por todos a cada um. Nessa compreenção podem estar soluções para a humanidade” – Paulo Herkenhoff, texto curatorial, Arte Pará 2014 (artista homenageado).

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Guy Veloso. Série “Penitentes”. Ouro Preto-MG, 2010. Diapositivo.

É impossível não intuir o cheiro da poeira e da terra pisadas pela multidão, o clamor de benditos e ladainhas elevando-se das imagens dramáticas e sofridas. (…) É o retrato granulado de uma redenção que não se consuma, de um Purgatório que continua ardendo, de um fim dos tempos que não se acaba – José de Souza Martins, sociólogo, Zum – Revista de Fotografia, Instituto Moreira Salles, 2012. Leia texto na íntegra.

As fotografias de Guy Veloso situam-se nesse universo no qual se interpõe invisíveis imagens e a estética por ele proposta se faz reconhecer – Marisa Mokarzel, curadora. Leia texto na íntegra.

 Guy Veloso apresenta as suas fotografias de fé. Não uma fé dogmática ou sistemática, mas a que transparece em imagens surreais e fascinam pelo desconforto que nos causam – Simonetta Persichetti, O Estado de São Paulo, 20.09.2010.

Transladação, procissão noturna na véspera do Círio de Nazaré, Belém-Pará. Diapositivo (analógico).

Guy Veloso. Série “Êxtase”. Trasladação do Círio de Nazaré, Belém-PA, 2010. Slide.

Guy Veloso faz o trânsito entre fotografia documental clássica e ‘documental imaginário’. É uma nova força da fotografia documental brasileira que começa a despontar para o mundo – Eder Chiodetto, curador e fotógrafo, Revista Photo Magazine, no.41, 2012.

As imagens de Guy Veloso surpreendem pelo non sense, pelo surreal, pela completa dissonância entre o mundo real e o outro mundo – Rubens Fernandes Júnior, curador.

 Interessante um certo desconforto, um certo estranhamento que  provocam – Paulo Máttar, artista plástico e curador.

As imagens de Guy Veloso captam um momento no tempo em que a fé, a consciência e o corpo se tornam um através de rituais. A documentação fotográfica dos rituais interrompe nossa realidade urbana contemporânea, convocando outra realidade mais antiga para a ação no final do mundo. Ao experimentar a realidade de Veloso nos tornamos penitentes, embora de diferentes hemisférios – Maruca Salazar, curador, Museo de las Americas, Denver-CO, EUA, 2017.

Veloso nos conduz por um país estranho, fascinante e sensual – Orlando Maneschy, fotógrafo e pesquisador.

Guy Veloso fotografia documental documentary photography

Guy Veloso. Ano-novo, Florianópolis, 2010. Cromo.

A fotografia de Guy Veloso nasce de sua discrição em infiltrar-se e cultivar intimidades – Catálogo da 29ª Bienal de São Paulo/2010. Leia texto na íntegra.

Penitentes de Guy Veloso reúne imagens com uma força que transcende a fotografia –Revista ARTE!Brasileiros, no. 07, Guia da Bienal, 2010.

A obra de Guy Veloso prima pelo trabalho com a luz. Com cores saturadas e vibrantes, suas fotografias resistem a entregar-se ao gozo pleno dos jogos cromáticos, fazendo com que sua paleta de cores acobreadas se revele através de uma densa sombra. Tal negrume, que empresta uma aura noturna mesmo para imagens captadas sob o sol do meio-dia, encobriria por inteiro seus cromos, não fosse pelo jogo de fontes de luz e pelos anteparos que a refletem e matizam sua coloração. É significativo, portanto, que esses anteparos sejam, no mais das vezes, corpos engajados em ritos de crença que são, eles mesmos, atos de busca por alguma espécie de iluminação (…)  – Paulo Miyada, curador, texto da mostra “É preciso confrontar as imagens vagas com os gestos claros”, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo-SP, setembro de 2012). Leia  na íntegra.

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Guy Veloso. Autoflagelação. Penitentes. Tomar do Geru-Sergipe, 2007. Digital.

A fotografia de Guy Veloso desdobra-se em ângulos de captura da cena de exercício da fé. O conjunto transita entre a interioriridade do ser, o êxtase e o corpo em estado de  sublimação. Se é possível rezar sem entender as palavras (Derrida), em Veloso o espectador, não importa sua religião, comunga dos momentos de encontro com o sagrado. Contra as primazias e fundamentalismos religiosos, o artista aponta para a etimologia da palavra religião e a ideia de “religar” os homens acima de seus conflitos – Paulo Herkenhoff, catálogo 31º Arte Pará/2012 (artista convidado).

As cenas existem, mas a imagem, a estética é própria de Guy Veloso que potencializa o real lançando-o no limite do medo – Marisa Mokarzel, curadora.

É neste universo múltiplo e complexo que Guy lança um olhar que vai além das características de cada religião presentes na vida cotidiana dos brasileiros – Joana Mazza, curadora.

Fotografia documental documentary photography

Guy Veloso. Ritual de Candomblé, Belém-PA, 2010. Slide.

Guy Veloso mergulha na alquimia e na espiritualidade para representar um nível de conhecimento mais sutil. Ele torna o invisível visível – Claudia Buzzetti, curadora e Patricia Gouvêa, curadora e fotógrafa, texto da exposição Alquimia, 2010.

No Vale do Amanhecer, fiéis se vestem como reis e rainhas. Guy Veloso extrai dessa devoção alegórica um preto e branco faiscante, luz que estoura os limites da fotografia e parece descascar a película até o pó de prata. Veloso registrou homens e mulheres de um dos templos da doutrina. Olhos abertos formam um contraponto entre a crueza da fotografia e a teatralidade barroca da comunidade religiosa. São olhares em êxtase que ultrapassam os limites desse claro-escuro, numa vertigem quase colorida – Silas Martí, Sobre a 18ª edição da Coleção Pirelli-MASP, Jornal Folha de São Paulo, 2010.

Há uma ambiguidade de sentido na representação dos homens encapuzados quando comparados aos violentos Ku-Klux-Klan, ao emblemático Chador das mulheres muçulmanas e aos sequestradores contemporâneos que evocam o clima de insegurança tão presente no mundo globalizado – Angela Magalhães e Nadja Peregrino, curadoras (texto do catálogo da mostra Un Certain Brasil, Pinghyao Festival, China, 2010).

Fotografia documental documentary photographyGuy Veloso. Ritual de Candomblé, Belém-PA, 2011. Digital.

A arte de Guy Veloso está em retransmitir sinais febris de uma horda encantada com a fé. É um documento de sua alma incansável e humanista em nos brindar nessa itinerância militante da fé – Walter Firmo, fotógrafo, 2004.

As fotos (de Guy Veloso) são documentos sem serem documentais. São arte fotográfica de expressão pessoal e independem do episódio. Revelação sensível e visível do imaginário universal. O êxtase da devoção tornado contemplação estética da imagem – João de Jesus Paes Loureiro, poeta, 2017.

O primeiro passo para fotografar um tema complexo como o das seitas religiosas é não ter seus dogmas e crenças próprias como um parâmetro para julgar a fé alheia. Só assim o fotógrafo estará apto a perceber as sutilezas ocultas nas diversas camadas simbólicas de uma crença. Guy Veloso se manteve nessa busca por mais de uma década até seus registros romperem com o padrão clássico do documentarismo para mergulhar numa estética renovada, na qual ele nos coloca em contato com uma nova ordem de dimensões. As imagens se tornam, assim, orgânicas. É como se não estivéssemos mais vendo fotografias ‘sobre’ algo mas a coisa em si. Por vezes é necessário experimentar, expandir a linguagem, romper com os manuais, para que o realismo irrompa com maior contundência – Eder Chiodetto, curador e fotógrafo, livro “Geração 00 – A Nova Fotografia Brasileira”, 2013.

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Guy Veloso. Série “Penitentes”. Juazeiro-Bahia, 2014. Digital.

Expoente do movimento testemunhal do Brasil, a obra de Guy Veloso resgata boa parte daquelas questões que fazem a identidade dos povos da América Latina. Na Argentina começou a ser conhecido por sua inclusão mostra “Imagens deste lado do Mundo” para a Red Cultural del Mercosul em 2007. Guy se integra a nova geração de autores testemunhais brasileiros seduzidos pela idéia de levar adiante um registro subjetivo e comprometido com um dos aspectos mais relevantes da cultura brasileira e, por extensão, a latino-americana, que se refere às práticas religiosas populares. Isto o conduziu a ser reconhecido em seu país e no exterior, com uma obra sólida, reveladora e com grandes valores estéticos – Revista Fotomundo, Argentina, 2008.

 Imagens onde a técnica, mesmo muito presente, se dilui deixando o sensível se apresentar com toda sua força. Exercício de imagética carregado de subdivisões, a obra de Guy, lembra uma cebola, repleta de camadas, uma fotografia onde o mais instigante e valioso está em camadas inferiores, invisíveis a uma primeira sacada apresada e ansiosa, uma obra para corações calmos, fortes, e olhos atentos que permitam um contato com o que está dentro da foto, deixando o epitélio da imagem somente como figura de convite, que nos convidam de forma muito convincente – Marco Antonio Portela, fotógrafo e curador.  Texto na íntegra.

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Guy Veloso. Penitentes, Nossa Senhora das Dores-SE, 2002. Slide.

A fotografia de Guy Veloso possui uma relação direta com a performance. Mesmo que intimamente empenhados em seu ritual, há um quê de performático nestes homens e mulheres amortalhados, um desejo de exteriorizar formalmente sua crença. A metáfora do transe da fé de Veloso, faz uso da atividade do olhar como representação dos movimentos do mundo, enfatizando que o fotógrafo também pode vir a ser um performer a partir do momento em que seu ato artístico penetra na intimidade dos crentes e se junta a eles em um só cortejo, literal e  simbolicamente, resultando em imagens repletas de significados e representações – Cinthya Marques, graduada em artes visuais e pesquisadora, sobre “Penitentes”.

O fotógrafo parece ser parte da situação, sem lançar um olhar estrangeiro sobre ela. Cores, contrastes e pontos desfocados evidenciam o aspecto imaginário da festa (Candomblé) – Jornal O Globo, 23.07.2012.

Mostra o candomblé com representações orgânicas, instáveis e cheias de movimento, como quem observa de dentro do acontecimento – Eder Chiodetto, curador, Jornal O Globo, 23.07.2012.

Seu propósito certamente não é desvelar o oculto, é fazer com que penetremos caminhos que tantos fizeram antes de nós – Armando Queiroz, artista plástico e curador, texto da exposição Êxtase, 2012. Texto na íntegra. 

Fotografia documental documentary photography Latin American

Guy Veloso. Festival de Exu, Umbanda, Belém-PA, 2011. Slide.

Qual a fronteira entre a fotografia documental e a artística? Com Robert Capa, já não se podia traçar a linha, e com Guy Veloso também não é simples. No entanto, recentemente, o trabalho do paraense foi vetado por um importante site por supostamente não se tratar de arte. Seu apuro formal, as cores febris e o enquadramento dramático realçam a expressão, mais do que a informação, mas nem por isso convenceu a todos os críticos. Podemos inferir que tal rejeição se deva ao fato de Guy Veloso aparentemente aderir à religiosidade que retrata, em vez de analisá-la com olhar crítico. O transe fotográfico de Veloso concilia-se com o transe religioso, levantando uma questão que não é apenas teológica. A arte deve nos convidar a um estado de enlevo, como o frenesi do fiéis, ou a um olhar reflexivo, de uma distância estratégica? Ou, talvez, ambos, simultaneamente? – Rafael Campos Rocha, Revista DAS ARTES, Ed. Outubro de 2010.

Guy Veloso talvez tenha deixado a fotografia. Ou talvez tenha ido buscá-la em outras formas de encarnação, em manifestações mais sincréticas, mais impuras, como tantas entidades sagradas – Ronaldo Entler, crítico e escritor (sobre a instalação “Mortalhas”).

Fotografia documental documentary photography Latin American

Guy Veloso. Vale do Amanhecer, Planaltina-DF, 2014. Digital.

A fotografia aqui atende a duas premissas muito caras à produção contemporânea: o poético e a documentação. Seu discurso imagético é uma navegação por manifestações populares do Brasil profundo – Michel Pinho, historiador e fotógrafo. Leia texto na íntegra.

Em Veloso, vemos como, através do corpo, instaura-se a presença de vibrações intensivas intempostíveis, a partir da devoção e da crença religiosa – Isabel Diegues, no livro Outras Fotografias na Arte Brasileira Séc. XXI, editora Cobogó, 2015.

O transe, o movimento do corpo, a movimentação do grupo de onde a cena emerge e, rapidamente imerge, o ato social. Tudo é motivo de atenta investigação que ultrapassa o mero documentar – Armando Queiroz, curador-assistente do 33º Arte Pará (sobre mostra “Entre dois mundos: Pierre Fatumbi Verger e Guy Veloso”). Leia texto na íntegra.

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Guy Veloso. Penitentes, Juazeiro-Bahia, 2015. Digital.

A palavra religião vem do verbo latino religare, que significa religar os homens. Então se essa palavra, se essa força, se essa junção, se essa crença que é a fé pode trazer paz às pessoas, que voltemos à sua origem etimologia no sentido de conectar, e não de separar as pessoas. E ao mesmo tempo insistir que todos devemos respeitar a religião de cada um. No caso das religiões afro-brasileiras, esta violência está extremamente exacerbada, é algo que remonta a momentos obscuros da sociedade ocidental que é impor através de métodos sejam eles psíquicos, políticos, físicos etc. uma idéia sobre o outro. E ao mesmo tempo pensar que a tarefa dos que querem um mundo mais democrático é não só trazer essas religiões afrodescendentes à visibilidade, mas compreender que elas – como Verger compreendeu, como Rubens Valentim – não estão no campo do folclore, elas não estão no campo da superstição, mas elas estão no campo dos valores, os mesmos que ligam as pessoas – Paulo Herkenhoff (pronunciamento na abertura do 33ª Arte Pará, sobre Guy Veloso, artista homenageado – vídeo).

Fotografar temas complexos, como o das seitas religiosas, implica não fazer juízo de valor. Só assim o fotógrafo pode perceber as sutilezas oculta nos simbolismos de uma crença. Guy Veloso rompe o padrão clássico do documentarismo para representar o transe da fé. A experimentação leva o artista a buscar sintonia com seu referente. Ao expandir a linguagem, arriscar-se em seus limites e romper os manuais, realismo e imaginário parecem encontrar um ponto de equilíbrio da representação – Eder Chiodetto, curador, exposição Documental Imaginário, Oi Futuro, Rio de Janeiro-RJ, 2012.

(Penitentes) Ao longo do período de documentação, o fotógrafo ganhou a confiança dos adeptos, conseguindo registrar cem grupos em momentos de profunda introspecção dos devotos, em condições de luz escassa que pouco iluminam suas práticas madrugadas adentro – Rosely Nakagawa, curadora especializada em fotografia, Revista Brasileiros, 2010.

Fotografia documental documentary photography

Guy Veloso. Festa de Exu. Ritual de Tambor de Mina, Belém-PA, 2013. Digital.

Dentre eles, o que flerta mais assumidamente com uma fotografia identificada com os valores modernos é, sem dúvida, o Teatro do Tempo, de Guy Veloso, mas ainda assim insere pequenos ruídos que fogem desse molde, quando foca num detalhe isolado ou percebe o lugar como um espaço de encenação do tempo, sugerido pelo título – Mariano Klautau Filho,  Catálogo do Prêmio Diário Contemporâneo (sobre o ensaio O Teatro do Tempo, 2015).

Guy Veloso realiza cuidadosa negociação prévia, pois só consegue fotografar sentindo-se aceito pela comunidade. Em seus trabalhos autorais utiliza apenas lentes 35mm, pois pretende chegar bem perto das pessoas envolvidas, conhecendo de maneira íntima o fato por trás da lente. Para que isso ocorra, cria um canal de negociação com os sujeitos envolvidos, estabelecendo assim nesse percurso a estética relacional – Heldilene Guerreiro Reale, Dossiê, Arte & Ensaios | revista do ppgav/eba/ufrj | n. 27 | dezembro 2013.

O fotógrafo parece ser parte da situação, sem lançar um olhar estrangeiro sobre ela. Cores, contrastes e pontos desfocados evidenciam o aspecto imaginário da festa – Audrey Furlaneto, jornal O Globo (sobre fotos de Candomblé na exposição Documental Imaginário, Oi Futuro, Rio de Janeiro-RJ), 23.07.2012.

Nos corpos performáticos, o sagrado se materializa, não importa a religião. No claro ou no escuro, há vida. E sempre a poesia, mesmo na mais perturbadora das imagens. Vejo o transe fotográfico – Tyara De La-Rocque, jornalista cultural, para a Revista Benjamim, julho de 2015.

O fotógrafo Guy Veloso, que há vários anos se dedica a registrar cultos e festividades religiosas Brasil afora, reconhece no transe uma complexidade que escapa às palavras e que, por isso mesmo, ele tenta transmitir por meio de imagens captadas em momentos de verdadeiro fervor – Jocê Rodrigues, Revista da Cultura, 10/07/2015.

Um transe entre o documental e o espiritual, onde eu me sinto em uma intimidade absurda e proibida com o outro – Ana Luiza Gomes, Blog Andarilha, 2015.

Veloso se envolve com os ritos profundamente e, portanto, consegue extrair todo potencial imagético que resulta numa representação polissêmica e mágica.” – Anna Carvalho, blog OLD.

Exu. Tambor de Mina, Belém-PA (Amazônia), Brasil. Foto (c) Guy

Guy Veloso.Tambor de Mina, Belém-PA, 2015.

“Não são obras sobre o transe, mas obras-transes” – Matilde dos Santos, curadora. Texto completo (port/fr).

“Guy Veloso fotografa sem recursos de aproximação ou otimização, e reserva às possibilidades do corpo a maior condicionante daquilo que deseja obter na imagem. Eventos religiosos e espirituais, como o Círio de Nazaré, no Pará, e a festa da Nossa Senhora da Boa Morte, na Bahia, já renderam extensas séries” – UOL Entretenimento, 29a Bienal de SP, 2010.

“Penitentes por Guy Veloso reúne imagens com tal força que transcende a imagem” – revista ARTE Brasileiros!. De julho de 2010.

“Imagens de Guy Veloso surpreendido por absurdo, por surreal, pela dissonância completa entre o mundo real eo outro mundo” – Rubens Fernandes Junior, curador.

“Há uma ambigüidade de significado na representação dos homens mascarados quando comparado com o violento Ku Klux Klan, ao chador emblemática de mulheres muçulmanas e os sequestradores contemporâneos que evocam a atmosfera de insegurança tão presente no mundo globalizado” – Angela Magalhães e Nadja Peregrino, curadoras.

“Guy Voso entrou no universo particular dos Penitentes, como ele foi considerado um deles, sem necessariamente comunhão de práticas religiosas nos rituais. (…) Guy teve acesso a informações secretas que o grupo nunca ter permitido a outros fotógrafos “- O penitente, Tyara de La-Rocque, Jornalista.

“Oposto a Mefistófeles, o demônio erudito de Goethe, Guy Veloso se veste como arcanjo. O corpo não é suficiente para ele, ele quer capturar e revelar a alma dos penitentes. Para uma boa finalidade. Mesmo para um ateu como eu, não é difícil identificar almas que pairam em cada quadro. Almas de cor, almas em preto e branco. Guy Veloso é também um conjurador ao contrário: em constante processo, cria e recria realidades de irrealidades” – The Art of Capturing and Revealing Body and SoulCarcara Photo Art.

 ENGLISH —

“It’s obvious the ambiguous relation between devotion and violence” – Moacir dos Anjos, curator, Visual Art Brasil Program, 29ª Especial Biennale of Sao Paulo, 2nd part, SESC TV, 2011.

“Guy Veloso shows his photos of faith. Not a systematic or dogmatic faith, but those ones who transpire in surreal images and fascinate us by the anxiety” – Simonetta Persichetti, O Estado de São Paulo. Sep. 20th 2010.

Exu. Belém-PA (Amazônia), Brasil. Foto Guy Veloso / www.guyvelos

Exu. Foto Guy Veloso. Belém-PA, 2011. Slide.

 

“Guy Veloso’s images capture a moment in time where faith, consciousness, and cuerpo become one through rituals. The photographic documentation of the rituals disrupts our contemporary urban reality, summoning another more ancient reality to action at the world’s end. As we experience Veloso’s reality, we become penitents ourselves albeit from different hemispheres” – Maruca Salazar, curator, Museo de las Americas, Denver-CO, 2017.

In Veloso, we see how, thought the body, the presence of imperceptible intense vibrations based on devotion and religious belief is established – Isabel Dieges, curator, book Other Photographies in Brazilian Art 21st Century

“His photographs stand to indulge to the full enjoyment of the chromatic game, making his coppery color palette proves through a dense shadow. Such darkness, which offers a nocturnal aura, even for images captured under the blazing sun of noon, would cover up the whole colors, not for the sources of light and shields that reflect and tint its coloring” –Numinous Gestures, Paulo Miyada, curador (text).

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Guy Veloso. Yao de Ewá, Candomblé (african-american ritual), Ananindeua-PA (Amazon), Brazil, 2015. Digital.

“Guy Veloso photos invite to a fallacious experience. The call always seems to matter, but the speech itself is always the color as the virtual tone” – Paulo Herkenhoff, curator and art Critic.

“Guy Veloso journeys between classical documentary photography and ‘imaginary documentation’. It is a new force of Brazilian documentary photography that begins to emerge into the world” – Eder Chiodetto, curator, Photo Magazine, 42, 2012.

“Guy Veloso’s photography was born of his discretion in infiltrating and cultivate intimacy. He use modest equipment, with no optimization or approximation resources of what his naked eye can capture; reserves to the possibilities of the body, its meetings, attachments, errors and wanderings, the biggest determinant of what aims to establish over the image form. In return, the artist wins naturalness and spontaneity from the people, and creates a map that alternates documentary rawness, ambiguity and fantasy (…). The images associate moments of sacrifice and pain of the people in times of worship and entertainment. As a photographer in practice, they open and demystify these hidden ideas and give in return to the public of the Biennial reflection and responsibility for any kind of stigma” – Catalogue of 29th Biennale of São Paulo.

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Guy Veloso. Série “Penitentes”, Salvador-Bahia, 2004.Slide.

“What is the border between documentary photography and art? With Robert Capa, one could no longer draw the line, and Guy Veloso is not that simple. However, recently, Guy’s work was prohibited by an important website for allegedly not being art. Its formal precision, febrile colors and dramatic framing enhance the expression, more than information, but not so convinced all critics. We can infer that such rejection is due to the fact that apparently Guy Veloso to join the portrayed religion, instead of analyzing it with a critical eye. Veloso’s photographic trance reconciles himself with the religious trance, raising a question that is not just theological. Art should invite us to a state of rapture, as the frenzy of the people, or to a reflective look of a strategic distance? Or perhaps both simultaneously?” – Rafael Campos Rocha, DAS ARTES Magazine, Ed. October, 2010.

“Penitentes by Guy Veloso gathers images with such strength that transcends the picture” – ARTE!Brasileiros magazine. July, 2010.

“The first step to shoot a multifaceted subject, like that of religious sects, is not to have their own dogmas and beliefs as a parameter to judge a person’s faith. This is the only the photographer will be able to understand the subtleties hidden in several symbolic layers of a belief. Guy Veloso remained in this quest for over a decade until his work break the classical pattern of documentaries to dive in a renewed aesthetic, in which he puts us in touch with a new range of dimensions. The images thus become organic. It is like we were not seeing photos anymore ‘about’ something but the thing itself. It is sometimes necessary to experiment, expand the language, breaking with the manuals, so that the realism erupt with greater forcefulness” – Eder Chiodetto, curator, the text for the exhibition “Generation 00″ , Belenzinho SESC , Sao Paulo -SP , 2011.

“Guy Veloso’s images surprised by nonsense, by surreal, by the complete dissonance between the real world and the other world” – Rubens Fernandes Junior, curator.

“Kind uncomforting and interesting estrangement, certain strangeness it causes” – Paulo Máttar, artist and curator.

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Guy Veloso. Série “Iemanjá”. Belém-PA, 2014. Slide.

“There is an ambiguity of meaning in the representation of the masked men when compared to the violent Ku Klux Klan, to the emblematic chador of Muslim women and the contemporary kidnappers that evoke the atmosphere of insecurity so present in the globalized world” – Angela Magalhães and Nadja Peregrino, curators.

“Veloso leaded us to a different, fascinating and corporeal world” – Orlando Maneschy, photographer and researcher.

“There are the scenes, but the image, the aesthetic is Guy Veloso himself that leverages the real gathering to the edge of fear” – Marisa Mokarzel, curator.

“Guy Veloso’ work consists in give febrile signals from a horde delighted with the faith. It is a document of his tireless and humanist soul by offering us this militant faith” – Walter Firmo, photographer and curator, FotoArte Brasília catalogue, 2005.

“Opposed to Mephistopheles, Goethe’s erudite demon, Guy Veloso dresses as archangel. Body is not enough for him, he wants to capture and reveal the penitents’ soul. For a good purpose. Even for an atheist like me, it is not difficult to identify souls that hover in each picture. Souls in color, souls in black and white. Guy Veloso is also a conjurer in reverse: in constant process, he creates and recreates realities of unrealities” – Carcara Photo Art 07, 2016. 

“He represents, through his work, the identity of his country and the birth certificate of the inhabitants of cities he traveled over, revealing their customs and traditions of each region” –  Elda Harrington, curator.

Exu. Belém-PA (Amazônia), Brasil. Foto Guy Veloso / www.guyvelos

Foto Guy Veloso. Umbanda, Belém-PA, 2011. Slide.

“This is the multiple and complex universe that Guy takes a look beyond the characteristics of each religion to the Brazilians daily lives” – Joana Mazza, curator.

“Promoter of the witness movement in Brazil, the work of Guy Veloso rescues most of those issues that make the identity of Latin America people. He started to be known in Argentina by his show so-called “Images on this side of the World”, curated by Elda Harrington for Red Cultural del Mercosur in 2007. Guy integrates the new generation of Brazilian authors seduced by the idea of carrying out a subjective and committed record to one of the most important aspects of Brazilian culture and, by extension, Latin American, which refers to the popular religious practices. This led him to be recognized at home and abroad, with a solid work, revealing large and aesthetic values – Fotomundo Magazine, Argentina, 2008.

“The photo maker seems to be part of the situation, without put a foreign look upon it. Colors, contrasts, and diffused pixels enhance the imaginary characteristic of the Candomblé (African-brazilian religion)” – O Globo Newspaper, July, 23rd, 2012.

“(Veloso) shows Camdomblé in an organic representation, instable and full of moving, like the one who sees it from inside” – Eder Chiodetto, curator, O Globo Newspaper. July, 23rd, 2012.

 

Guy Veloso entered into the private universe of Penitents, like he was considered one of them, without necessarily commune of religious practices in the rituals. (…) Guy had access to secret information that the group have never allowed to other photographers – “The Penitent”, Tyara de La-Rocque, Journalist (text).

If, in the beginning we detect a classic documentary maker spinning around his own object, as the years pass by with accumulated knowledge and intimacy, Guy’s photography has stopped representing the rituals and started presenting them – Eder Chiodetto, curator, Ipsis Collection of Brazilian Photography, book, 2017.

“Guy Veloso’s photography has a straight relationship to the performance. Even closely engaged in their ritual, there is something performative in these shrouded men and women, a desire to formally express their belief. Veloso’s trance of faith metaphor takes the activity of looking as a representation of the movements of the world, accentuating that the photographer can also prove to be a performer from the moment his artistic act penetrates the intimacy of believers and joins, literally and symbolically, to them in one pageant, resulting in images full of meanings and representations” –  Cinthya Marques, bachelor of visual arts and researcher.

“Guy Veloso’s work takes the light as the main line. From vibrant and saturated color, his photographs resist surrendering to the full enjoyment of the chromatic game, making his coppery color palette proves through a dense shade. Shuch darkness, which lends a night aura even for images captured under the midday sun, would cover up its entire chrome, not for the light sources and the shields reflecting and titing its colors. It is that important, therefore, that these screens are, in most cases, bodies engaged in rites of belief that are themselves acts of searching for some sort of enlightenment. In the exhibition “We must confront the vague images with clear gestures”, a triptych and a diptych of Veloso will be present in which gestures of various rituals are mixed, since sacred cults like Candomblé and Umbanda to the prosaic carnival and ballet”, Paulo Miyada, curator.

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Foto Guy Veloso. Umbanda, Belém-PA, 2015. Digital.

Guy Veloso remained in this quest for over a decade until his work break the classical pattern of documentaries to dive in a renewed aesthetic, in which he puts us in touch with a new range of dimensions. The images thus become organic. It is like we were not seeing photos anymore ‘about’ something but the thing itself. It is sometimes necessary to experiment, expand the language, breaking with the manuals, so that the realism erupt with greater forcefulness” – Eder Chiodetto, the text for the exhibition “Generation 00” , Belenzinho SESC , Sao Paulo -SP , 2011.

Posted by: guyveloso | 13 de December de 2017

Copacabana, 2004.

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Copacabana. (c) Guy Veloso , 2004. Slide

http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 7 de December de 2017

Guy Veloso

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Posted by: guyveloso | 22 de November de 2017

Sertão, Bahia, 2017

Sertão. Foto Guy Veloso, Bahia, 2017. www.guyveloso.com

Guy Veloso. Sertão, Bahia, 2017. http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 10 de November de 2017

Depoimento de Orlando Maneschy, curador e fotógrafo

Meu caro Guy…. O silêncio que tive foi pela potência, pela subversão, pela carne crua, pela vida molhada que tua obra conclama.
Tão recheada de vida…sejam entidades…, penitentes…,”cavalos”… tudo exala uma vida tão intensa que me leva a olhar… e olhar…e olhar… Depois uma falta de ar…uma tontura e quase gritei: HEEEEEYYYYYY!!!!
Era a fotografia que queria me tomar de assalto e ocupar meu corpo, meus poros fechados e sair feito suor para a vida….
Obrigado Guy pela tua generosidade no envio dessas imagens. Mas penso que precisamos conversar, pois é tão difícil….A única coisa certa é que, diante de tudo, ela, douradamente possuída nos olhos, já disse que fica!
Na certeza de que há muito mais entre esse planos que habitamos, reconheço te novamente nessa vida.
Orlando Maneschy, curador e fotógrafo.
brazilian-documentary-photography
Guy Veloso. Yaô de Ewa, Belém-PA, 2003. http://www.guyveloso.com

29a Bienal de São Paulo – 2010. Curador Moacir dos Anjos fala dos Penitentes de Guy Veloso

Mais:

29ª Bienal de SP. Catálogo Penitentes. Link

Revista ZUM#3. Texto de José de Souza Martins. Link

Vídeo Guy Veloso. Biennial of the Americas, Denver-EUA, 2017. Link

Bienal de São Paulo 2010. Curador Moacir dos Anjos fala dos Penitentes de Guy Veloso. Link

Visita dos “Hermanos Penitentes” na exposição de Guy Veloso em Denver-CO, Estados Unidos. Link

Expo. Biennial of the Americas, Museo de las Americas, Denver-CO, EUA, 2017. Link

Biennial of the Americas (review). Link

Penitente recebe de presente a publicação (Zum#3) com sua imagem. Vídeo

Veloso uncovers the mysterious world of the ‘penitents’. Text

Posted by: guyveloso | 26 de October de 2017

Autolagelação ritual / Self-flagellation

Ritual de autoflagelação, Sergipe-Brasil, 2007. Self-flagellatio

Projeto Penitentes (2002-2017). (c) Guy Veloso. Autolagelação ritual / Self-flagellation. Sergipe, 2007.

Mais:

29ª Bienal de SP. Catálogo Penitentes. Link

Revista ZUM#3. Texto de José de Souza Martins. Link

Vídeo Guy Veloso. Biennial of the Americas, Denver-EUA, 2017. Link

Bienal de São Paulo 2010. Curador Moacir dos Anjos fala dos Penitentes de Guy Veloso. Link

Visita dos “Hermanos Penitentes” na exposição de Guy Veloso em Denver-CO, Estados Unidos. Link

Expo. Biennial of the Americas, Museo de las Americas, Denver-CO, EUA, 2017. Link

Biennial of the Americas (review). Link 

Penitente recebe de presente a publicação (Zum#3) com sua imagem. Vídeo

Veloso uncovers the mysterious world of the ‘penitents’. Text

 

Posted by: guyveloso | 3 de October de 2017

Círio de Nazaré, Patrimônio Imaterial da Humanidade – UNESCO

Fotografia documental documentary photography Latin American

(c) Guy Veloso. Círio de Nazaré, Patrimônio Imaterial da Humanidade – UNESCO. A maior procissão do mundo.

http://www.guyveloso.com

 

Posted by: guyveloso | 25 de September de 2017

Transe

Transe. Foto Guy Veloso. www.guyveloso.com

Exu. Foto Guy Veloso. Tambor de Mina, Belém-PA. http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 18 de September de 2017

Vale do Amanhecer

 

Vale do Amanhecer, Planaltina-DF. Guy Veloso, 2002. http://www.guyveloso.com

Posted by: guyveloso | 15 de September de 2017

Exu

Exu. Tambor de Mina, Belém-PA (Amazônia), Brasil. Foto (c) Guy

Exu. Belém-PA (Amazônia), Brasil, 2015. (c) Guy Veloso. http://www.guyveloso.com

 

Texto crítico (Port/Francês):

Guy Veloso, entre documento e poesia.

© Matilde dos Santos, curadora, França, 2017.

Não se entra nas obras de Guy Veloso, somos aspirados por elas. “Pontuados”, como Barthes poderia ter dito, como se dessas imagens algumas flechas fossem atiradas em nossa direção, somos alvos de não se sabe bem qual imagem latente, invisível e ainda sim presente na obra.

Suas fotografias tratam de uma experiência da fé, o transe religioso, muito comum em práticas populares brasileiras, muitas vezes ligadas à herança africana, mas também presente nas novas religiões cristãs ou no catolicismo “profano”. O transe é uma experiência religiosa universal. Nós todos intuitivamente o podemos reconhecer e é isso o que torna as fotos de Veloso ao mesmo tempo tão familiares e tão estranhos.

Estas fotos são o resultado de um imenso trabalho de investigação quase antropológica feito pelo artista durante quase 20 anos. Em 2010, quando algumas imagens da série Penitentes foram exibidas na Bienal de São Paulo, Veloso já tinha 13 anos de pesquisa de campo e uma coleção formada por cerca de 20.000 itens incluindo negativos, slides, folhas de contato, impressões, objetos devocionais diversos, gravações áudio e vídeo. Arquivos preciosos; alguns dos grupos assim registrados não tardariam a se desagregar e outros são tão secretos que as práticas documentadas por Veloso, eram conhecidas apenas pelos iniciados. O rigor, e o lado obsessivo desta documentação impressionam. Veloso fotografou os mesmos sujeitos durante anos, incansavelmente retornou aos mesmos locais, mas também descobriu novos lugares e chegou a ser incorporado em algumas sociedades secretas.

E, no entanto, suas imagens vão muito além do seu valor meramente documental. Sua abordagem muito contemporânea é definida na tensão entre poesia e documentação. Se Veloso se documenta extensa e amorosamente previamente, o resultado não é a captura de uma realidade, mas a produção de um imaginário que permite a irrupção do real. Não faz como na fotografia documental um recorte do real nem busca expressar um ponto de vista. Suas obras convocam com os fotografados e o espectador, um imaginário do qual emerge o real em forma de imagen. Não são obras sobre o transe, mas obras-transes.

Tecnicamente Veloso coleta sinais, detalhes e fragmentos. Fotografa de muito perto, em virtude de uma necessidade técnica (Veloso usa lentes de 35mn) e artística: o artista precisa desse corpo a corpo com o sujeito. Esta proximidade resulta em imagens em movimento, com a câmera quase à tocar o corpo em transe. A oposição tremido-nitido produz efeitos dinâmicos, particularmente adequados aos movimentos do transe. A proximidade física é possível graças à uma grande intimidade construída ao longo de sua abordagem lenta, respeitosa, que o levará por vezes a esbater as fronteiras entre o fotógrafo e o fotografado. O resultado é um verdadeiro transe fotográfico que se revela em cores febris, enquadramentos dramáticos e um requinte formal inegável.

A poesia ocorre na emoção compartilhada entre o sujeito que se abandona ao transe, o público que recebe o “punctum” e o artista cuja implicação física e espiritual ao fotografar é palpável, uma emoção de duração prolongada, pois, trabalhando exclusivamente com o analógico, o processo de criação de imagem inclui todas as fases do desenvolvimento da película até à seleção de imagens para impressões e inclui, portanto, inevitavelmente diversas temporalidades.

A poesia ocorre exatamente nessa relação poderosa com a temporalidade. Veloso é um contador de histórias. Sua narrativa desenrola o fio de uma realidade outra, ao mesmo tempo em que se destaca com grande mestria do efeito realidade da fotografia. Mergulhamos assim em uma experiência poética que convoca tanto o frenesi do êxtase religioso quanto a reflexão e o distanciamento.

———

Guy Veloso, entre document et poésie

© Matilde dos Santos, commissaire, France, 2017.

 

On ne rentre pas dans les œuvres de Guy Veloso, on y est happé. « Ponctué » aurait pu dire Barthes, comme si ces photos décochaient des flèches, qui nous impactent. Nous sommes des cibles d’on ne sait pas exactement quelle image latente, invisible et pourtant portée par l’œuvre.

Ses clichés font appel à une expérience de la foi, la transe religieuse, très courante dans des pratiques populaires brésiliennes, souvent en lien avec l’héritage africain, mais présente aussi dans les religions chrétiennes ou encore dans le catholicisme « profane ». Très profondément, la transe est une expérience religieuse universelle. Nous la reconnaissons tous intuitivement et c’est bien cela qui rend les clichés de Veloso à la fois si familiers et si étranges.

Ces photos sont le fruit d’un immense travail de recherche quasi anthropologique effectué par l’artiste durant presque 20 ans. En 2010, quand des photos de la série Pénitents ont été exposées à la Biennale de Sao Paulo, cela faisait 13 années de recherches sur le terrain, et une collection formée par environ 20 000 items entre négatifs, diapositives, planches contact, impressions, objets votifs divers, enregistrements audio et vidéo… Des archives précieuses, quelques-uns des groupes ainsi enregistrés ayant disparu depuis et d’autres étant si secrets que les pratiques documentées par Veloso, n’étaient connues que des seuls initiés. La minutie, le côté obsessionnel de cette documentation impressionne. En effet, Veloso photographia les mêmes sujets des années durant, revint inlassablement sur les mêmes lieux, en découvrit d’autres et finit par être incorporé dans certaines sociétés secrètes.

Pourtant ses photos dépassent largement leur seule valeur documentaire. Sa démarche très contemporaine se définit dans la tension documentation-poésie. Si Veloso se documente longuement, amoureusement en amont, le résultat n’est pas la capture d’une réalité. mais la production d’un imaginaire qui permet l’irruption du réel. Il ne s’agit pas, comme dans la photo documentaire, de faire un découpage du réel, ni même d’exprimer un point de vue. Sa photo cherche plutôt à convoquer avec le sujet et le regardeur un imaginaire d’où jaillira le réel sous forme d’image. Ce ne sont pas des œuvres sur la transe, mais des œuvres-transes.

Techniquement Veloso collecte des signes, des détails, des fragments. Il photographie de très près, exigence à la fois technique (Veloso utilise un 35 mn) et artistique, l’artiste ressentant le besoin d’un corps à corps intense avec son sujet. De cette proximité résulteront ces clichés en plein mouvement, la camera quasiment posée sur les corps en transe. L’opposition flou-netteté produit des effets dynamiques, particulièrement adaptés à la transe. La proximité physique est rendue possible par une grande intimité construite via une approche lente, respectueuse, et qui va parfois l’amener à brouiller les frontières entre le photographe et le photographié. En résulte une véritable transe photographique. En résultent des couleurs fébriles, des cadrages et des hors-cadres dramatiques et un raffinement formel indéniable.

La poésie se produit dans l’émotion partagée entre le sujet abandonné à la transe, le public qui reçoit le « punctum », et l’artiste dont l’engagement physique et spirituel lors de la prise de vue est palpable, une émotion qui se prolonge dans la durée, car, travaillant exclusivement avec l’argentique, le processus de création de l’image inclue toutes les étapes du développement du film jusqu’au choix des impressions et donc forcément plusieurs temporalités.

La poésie se produit exactement dans ce rapport puissant à la temporalité. Veloso est un conteur. Sa narration dévide le fil d’une réalité autre tout en se détachant avec grande maîtrise de l’effet de réalité produit par la photographie. Nous plongeons alors dans une expérience poétique qui convoque aussi bien. un état de ravissement proche de la frénésie de la transe que la réflexion et la distanciation.

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